Bolsa inaugura estátua de touro no centro de SP, mas nega inspiração em 'gêmea' de NY

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SÃO PAULO — Os pedestres que circularam nesta terça-feira pela rua XV de Novembro, no centro de São Paulo, puderam ver em frente ao prédio da B3 o mais novo ponto turístico da região: a estátua dourada de um touro, com peso de uma tonelada, cinco metros de comprimento e três metros de altura.

A escultura foi financiada pela B3 em parceria com o economista e educador financeiro Pablo Spyer, idealizador da obra. O autor é o arquiteto e artista plástico Rafael Brancatelli. O valor da estátua, que vai ficar no local de maneira permanente, não foi divulgado.

Brancatelli e a B3 negam qualquer inspiração do touro brasileiro no Charging Bull, o famoso touro de bronze situado em Nova York, nos Estados Unidos, idealizado pelo escultor italiano Arturo Di Modica em 1989. A estátua se tornou um dos símbolos do mercado de capitais americano.

— Temos compromisso com o centro de São Paulo e por isso escolhemos colocar o touro em frente à B3. Ele não é inspirado no touro de Nova York, mas sim na metáfora touro versus urso, tradicional no mercado financeiro. Nós escolhemos a figura porque a associamos à resiliência do investidor e do brasileiro — diz Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3.

Na metáfora, o touro representaria as ações em subida pronunciada, em alusão ao movimento de ataque do animal, de baixo para cima. Em contraposição, o urso, que ataca de cima para baixo, representa o mercado em baixa.

De qualquer forma, as comparações entre as imagens dos touros de Nova York e de São Paulo são comuns nas redes sociais e em comentários de pedestres que viram a mais nova escultura do centro de São Paulo.

Além de remeterem à mesma figura de linguagem, há ao menos uma outra semelhança importante entre os dois monumentos. O americano foi idealizado por Modica após a Black Monday (Segunda-feira Negra) de 1987, quando o índice Dow Jones caiu 22.6%. No Brasil, o touro da B3 chega às ruas quando o Ibovespa, o principal índice do mercado de capitais brasileiro, acumula desvalorização de 12,16% no ano de 2021.

Segundo a Bolsa, a escultura registra a marca de mais de 4 milhões de pessoas físicas que investem na B3, um recorde para o país.

Diferentemente da estátua americana, que é de bronze, a paulistana foi feita em uma estrutura metálica interna com fibra de vidro e pintura anticorrosiva.

O autor do touro da B3, Rafael Brancatelli, conta que a obra foi idealizada no início da pandemia de coronavírus, há um ano e meio e que a fabricação da escultura demorou cerca de seis meses.

— Pensei em algo que pudesse fomentar o turismo na região central, fosse um presente para a cidade e representasse a resiliência do mercado financeiro. Fiz o design em três meses e a construção da obra em seis com a ideia de que o traçado fosse original, que não fosse a cópia de nenhum outro touro. Ele tem um traçado mais brasileiro, com uma corcova, por exemplo — explica o artista. É a primeira obra de Brancatelli a ser exposta de maneira permanente na rua.

Outra diferença entre as obras é que a obra de Modica foi instalada pelo artista sem a autorização da prefeitura de Nova York, enquanto que a de Brancatelli tem o aval do poder público e é vigiada por seguranças da portaria da B3. O touro de Nova York foi removido de seu local inicial e hoje fica em frente ao parque Bowling Green, nas proximidades do Museu Nacional do Índio Americano.

Em seu primeiro dia de exposição, a escultura da B3 atraiu olhares de moradores em situação de rua, pedestres e turistas no centro de São Paulo. Muitos tiraram fotos apressadas do touro, mas diferentemente de sua gêmea, poucos acreditaram que tocar nos testículos do animal pudesse lhes trazer sorte.

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