Bolsa mais 'instagramada' de todos os tempos chega a custar R$ 1 milhão

Gilberto Júnior e
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A história é bem conhecida. Num voo de Londres a Paris, em 1984, a atriz britânica Jane Birkin sentou-se ao lado do então presidente executivo da Hermès, Jean-Louis Dumas, e reclamou que não encontrava nas lojas uma bolsa compatível com as necessidades de uma jovem mãe. Atento, ele desenhou uma peça retangular, flexível e com espaço suficiente para caber a mamadeira da criança. Sem maiores pretensões, nascia ali um ícone de proporção mundial — e não estamos falando apenas do universo físico.

Um levantamento recente feito pelo site OnBuy descobriu que a Birkin, que começa em R$ 50 mil e pode chegar a R$ 1 milhão se tiver acabamento em ouro e diamante, é a bolsa mais “instagramada” de todos os tempos, com cerca de 5,9 milhões de postagens. Em seguida, vem a Kelly, da mesma maison, com cifras em torno de R$ 50 mil. “Ganhei a minha Birkin há muito tempo do meu marido. É um design clássico, atemporal, que não segue modismo. É um ótimo acessório para viagens. Cabe tudo. Adoro amarrar um lenço na alça para dar uma personalizada”, diz a consultora de moda Joana Nolasco.

Especialista em mercado de luxo, Carlos Ferreirinha afirma que a bolsa é um símbolo que vai além da Hermès. É a joia da coroa, assim como a estrela da Mercedes e os monogramas da Louis Vuitton. “A Birkin faz parte do imaginário do não acessível, do não disponível, das histórias clássicas de fila no mundo, das listas intermináveis de espera. Ou seja: é um conjunto de percepções. Não se trata de popularidade. O diálogo não é popular, é de branding”, avalia ele. Para o especialista, os códigos da grife mais democráticos se dão por meio das redes sociais. “Com isso, a grife se mantém jovem e viva perante sua base de clientes tradicionais e aquece sua relevância perante as gerações mais novas.”

Detalhe importante: segundo Ferreirinha, a maison não aumentou a produção da peça. “Segue artesanal, com pílulas de inacessibilidade mundo afora.”