Bolsa sobe 1,14%, e dólar cai a R$ 5,5090 com intervenção do Banco Central

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira subiu 1,14%, a 113.455 pontos, nesta quarta-feira (13). A recuperação reflete a procura de investidores por oportunidades após um mês de setembro conturbado que levou o mercado acionário às mínimas do ano.

A intervenção do Banco Central (BC) para conter a alta do dólar também ajudou a segurar a Bolsa em campo positivo, segundo analistas.

O dólar recuou 0,50%, a R$ 5,5090, após o BC ter colocado US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) no mercado de câmbio por meio de uma venda surpresa de contratos de swap cambial tradicional.

O volume injetado nesta quarta foi o dobro do colocado na última vez que o BC recorreu a esse instrumento de forma extraordinária, em 30 de setembro. A intervenção, por meio da venda de 20 mil contratos de swap cambial, ocorreu após a moeda americana ter atingido R$ 5,57.

"A gente teve uma intervenção do Banco Central que entrou vendendo uma quantidade massiva de dólares e isso fez com que a moeda americana caísse de forma rápida e intensa", diz Flávio de Oliveira, head de renda Variável da Zahl Investimentos.

O swap é um derivativo que permite troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros. No caso do swap cambial tradicional, o título paga ao comprador a variação da taxa de câmbio acrescida de uma taxa de juros. Em troca, o BC recebe a variação da taxa Selic.

O objetivo do BC com esse instrumento é evitar movimento disfuncional do mercado de câmbio, provendo proteção contra variações excessivas do dólar em relação ao real e liquidez aos negócios. A colocação de contratos de swap tradicional, portanto, funciona como injeção de dólares no mercado futuro.

Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, a Bolsa reagiu bem ao anúncio de intervenção do Banco Central no câmbio e à falta de notícias prejudiciais aos investimentos em um dia de pouca movimentação em Brasília.

"Houve uma recuperação em relação ao histórico recente de baixas devido à expectativa de alta dos juros e de percepção do risco fiscal do Brasil, que levou à redução do fluxo de investimentos estrangeiros", diz Abdelmalack.

"A busca por barganhas na Bolsa em vista do nível atual de sobrevenda vem sendo liderada pelos investidores estrangeiros, que na última semana ingressaram com R$ 1,84 bilhão e, neste mês, estão com saldo líquido de R$ 6,6 bilhões", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, destaca que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), colaborou para o bom humor do mercado doméstico nesta quarta ao se declarar favorável à privatização da Petrobras e também por afirmar que espera a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos precatórios para a próxima semana.

"Essas declarações tiram um pouco das incertezas sobre riscos fiscais ", afirma Komura.

As críticas de integrantes do governo às altas nos preços dos combustíveis têm gerado incertezas no mercado sobre a autonomia da Petrobras para a manutenção da sua política de preços, o que vem impedindo a companhia de ampliar de forma mais significativa o seu valor em um momento de alta do petróleo.

Em relação aos precatórios, o mercado espera que o governo apresente uma solução para o pagamento da dívida de R$ 89 bilhões prevista para 2022, reduzindo assim as preocupações sobre a questão fiscal.

No exterior, os resultados das Bolsas americanas também colaboraram com os ganhos no Brasil, segundo Marcos Samad Júnior, sócio da Axia Investing.

"Os resultados de alguns bancos e de empresas de tecnologia do mercado americano que começam a divulgar os seus balanços trimestrais vieram melhor do que o esperado, ajudando a sustentar a B3 [Bolsa brasileira] acima dos 113 mil pontos", diz Samad Júnior.

Os índices S&P 500 e Nasdaq subiram 0,30% e 0,73%, respectivamente. O Dow Jones encerrou estável.

Nesta quarta, também houve a divulgação da ata da reunião dos dias 21 e 22 de setembro do Federal Reserve, o banco central americano, que mostrou que os membros da autoridade monetária permanecem divididos sobre o tamanho da ameaça que a inflação alta apresenta e quando o banco deverá começar a elevar os juros em resposta.

"Nenhuma decisão de avançar com uma moderação das compras de ativos foi tomada na reunião, mas os participantes em geral avaliaram que, desde que a recuperação econômica permaneça nos trilhos, um processo gradual de redução de estímulo que seja concluído em torno de meados do próximo ano deve ser adequado", mostrou o documento.

As autoridades discutiram cortar as compras de Treasuries (títulos do Tesouro) em US$ 10 bilhões (R$ 55,4 bilhões) por mês e as de títulos lastreados em hipoteca em US$ 5 bilhões (R$ 27,7 bilhões) por mês, disse a ata, embora vários participantes preferissem uma redução mais rápida.

Se a decisão de começar a reduzir o estímulo acontecer no encontro do Fed de 2 e 3 de novembro, o processo pode começar em meados de novembro ou meados de dezembro, segundo a ata.

A expectativa sobre redução de estímulos e, principalmente, sobre elevação dos juros nos EUA vem derrubando a Bolsa brasileira, pois o prêmio cobrado pelo investidor para aplicar em uma economia considerada arriscada passa a ser maior com a expectativa de ganhos mais altos com os juros americanos.

Analistas ouvidos pela reportagem, porém, consideraram que a ata mais recente não trouxe novidades a ponto de prejudicar a Bolsa nesta quarta.

O petróleo Brent recuou 0,07%, a US$ 83,36 (R$ 462,40). A baixa da commodity não impediu a Petrobras (PETR4) de subir 1,06%.

A Vale (VALE3) recuou 2,96%, refletindo um dia de baixas nos preços dos contratos de minério de ferro.

Os destaques positivos ficaram por conta das fortes altas nos setores, bancários, de educação e do varejo. Entre as principais altas do dia estão as ações do Banco Pan (9,68%), do Banco Inter (8,71%), da Cogna Educação (6,42%) e do Petz (6,73%).

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