Bolsa sobe, com ajuda de commodities, e dólar opera em baixa

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RIO — A Bolsa sobe enquanto o dólar opera com queda ante o real no início desta quinta-feira. A ata mais dura do Federal Reserve, Banco Central americano, divulgada na véspera, deve continuar influenciando o movimento dos mercados e o do câmbio, ainda que o Ibovespa encontre espaço para subir após três baixas consecutivas.

Por volta de 10h30, o principal índice da B3 tinha alta de 0,57%, aos 101.580 pontos, ajudado por empresas ligadas a commodities.

No mesmo horário, a moeda americana tinha baixa de 0,29%, negociada a R$ 5,6995.

O documento do Fed sinalizou para uma postura mais propensa à retirada de estímulos por parte da autoridade monetária, indicado a possibilidade de alta nos juros básicos em um ritmo mais acelerado do que era o esperado.

Além da já anunciada aceleração da compra de títulos, o chamado “tapering”, os dirigentes também discutiram uma redução na carteira geral de ativos para conter a alta da inflação.

A ata ainda indicou que vários membros do Fed já consideram as condições do mercado de trabalho amplamente consistentes com o emprego máximo.

Após a divulgação, as bolsas globais tiveram queda firme, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os chamados Treasuries, se fortaleciam.

A realidade de uma menor liquidez nos mercados faz com que os investidores busquem ativos mais seguros para aportar seus recursos, o que não é o caso brasileiro. O movimento pode contribuir para a desvalorização maior do real em que pese a alta dos juros por aqui.

“A postura mais hawkish (favorável à retirada de estímulos) nos fez mudar a nossa visão sobre o início do processo de alta de juros de junho para março e no número de aumentos de taxas em 2022 de dois para três”, destacaram analistas da XP, em nota matinal.

Ainda joga contra o Ibovespa, as já conhecidas preocupações com a situação fiscal interna, em um período de renda fixa mais atrativa e com a Bolsa tendo que ligar com resgate em fundos de ações.

Na cena interna, os investidores ainda repercutem a divulgação de dados da indústria.

Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção industrial fechou novembro em queda de 0,2% na comparação com outubro, quando chegou a recuar 0,6%.

Os números vieram abaixo das expectativas do mercado. Esse é o sexto mês consecutivo de queda, com baixa acumulada de 4% neste período.

Ações

Entre as ações, as ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) subiam 1,14% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 0,96%.

Em um dia positivo para o minério de ferro negociado na China, as ordinárias da Vale (VALE3) avançavam 2,17% e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3), 2,18%.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) subiam 2,50%.

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) cediam 0,09% e 0,20%.

Bolsas no exterior

Na Europa, as bolsas operam com baixas na primeira oportunidade dos investidores de repercutir a ata do Fed.

Por volta de 10h30, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres cedia 0,50% e a de Frankfurt, 1,10%. A Bolsa de Paris caía 1,32%.

As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, cedeu 2,88%. Na China, houve baixa de 0,25%, enquanto a Bolsa de Hong Kong subiu 0,72%.

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