Bolsa sobe com expectativa de solução para Evergrande e precatórios

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Vista de painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Vista de painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira acompanhou a recuperação dos mercados globais nesta terça-feira (21), um dia após o temor de calote da gigante do ramo imobiliário chinês Evergrande ter derrubado índices acionários ao redor do mundo.

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 1,29%, a 110.249 pontos. O dólar caiu 0,86%, a R$ 5,2860.

Nos Estados Unidos, Dow Jones e S&P 500 fecharam próximos da estabilidade, com quedas de 0,15% e 0,08%, enquanto o Nasdaq avançou 0,22%.

Na Europa, as Bolsas de Londres, Paris e Frankfurt subiram 1,12%, 1,50% e 1,43%, respectivamente. Na China, Hong Kong teve alta de 0,51%. Xangai avançou 1%.

A recuperação dos mercados globais nesta terça é abribuída, principalmente, à expectativa de que o governo chinês ajude a Evergrande a conseguir capital, diminuindo assim o risco de colapso de instituições financeiras em todo o planeta.

"A expectativa é a de que o governo chinês traga alguma solução, embora o Partido Comunista Chinês precise colocar na balança o que é mais danoso: o risco sistêmico da insolvência da incorporadora ou o risco moral de resgatá-la", diz Filipe Fradinho, analista técnico da Clear Corretora.

No Brasil, a recuperação do Ibovespa é também resultado do diálogo entre os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o ministro Paulo Guedes (Economia) para o pagamento de parte dos precatórios de 2022.

Após o encontro com Guedes, Lira e Pacheco disseram que vão conversar com lideranças parlamentares para discutir um novo texto para a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos precatórios enviada pelo Executivo.

O objetivo é criar em 2022 um limite de R$ 39,9 bilhões para o pagamento de precatórios (dívidas do Estado reconhecidas pela Justiça), dentro do teto de gastos -que impede o crescimento real das despesas.

O restante programado para o ano (R$ 49,1 bilhões) seria postergado para anos seguintes, mas com a possibilidade de ser pago por meio de brechas fora do teto de gastos.

Independentemente do teor da proposta, o mercado espera que Executivo e Legislativo apresentem respostas para viabilizar o pagamento de precatórios e encontrem fontes de financiamento para o novo Bolsa Família, destravando assim o Orçamento de 2022, segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos

"Em relação à questão dos precatórios, qualquer alternativa será alvo de questionamento econômico e jurídico, mas depois de algumas semanas o mercado tende a diluir", diz Abdelmalack.

Altas no setor varejista também contribuíram para que a Bolsa brasileira fechasse no azul nesta terça, com destaque para os papéis da Méliuz (CASH3) e Via (VIIA3), que subiram 13,60% e 11,28%, respectivamente.

Os resultados da Via, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, foram impulsionados após a empresa divulgar que superou no início deste mês 100 mil vendedores terceiros em sua plataforma online.

Entre os papéis mais negociados do dia, as ações da Vale (VALE3) subiram 0,97% e as da Pebrobras (PETR4), 2,27%.

Após duas baixas seguidas, o petróleo fechou em alta de 1,03%, com o barril do Brent, referência para o mercado, cotado a US$ 74,68 (R$ 396,13).

Nesta quarta-feira (22), o Copom (Comitê de Política Monetária) irá divulgar sua decisão em relação à taxa básica de juros nacional (Selic), que deverá subir de 5,25% para 6,25% ao ano, segundo projeções do mercado.

Nos Estados Unidos, o mercado acompanhará o desfecho da reunião do Fomc, o comitê de política monetária do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano).

A expectativa é por um comunicado da autoridade monetária sobre os próximos passos da política monetária do país. Os investidores aguardam a sinalização sobre quando Fed irá reduzir o seu programa de compra de títulos.

Em agosto, o presidente do Fed, Jerome Powell, informou que a desaceleração do ritmo de compras de títulos pode ocorrer ainda neste ano.

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