Bolsa sobe e dólar cai após eleições no Congresso

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*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 24-01-20109 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 24-01-20109 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ibovespa opera em alta de 1,58%, a 119.383 pontos, nesta terça-feira (2). O dólar recua 1,50%, a R$ 5,3660.

Investidores repercutem a vitória de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) na disputa para as presidências da Câmara e do Senado, respectivamente. Agora, o mercado vê uma maior chance de retomada da agenda de reformas do governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Lira, candidato apoiado pelo governo, foi eleito com larga vantagem em primeiro turno, dando fôlego ao governo para tocar sua pauta prioritária e ainda alguma garantia diante dos cerca de 60 pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Ao assumir, ele defendeu uma pauta emergencial, atenção à responsabilidade fiscal e à questão social.

No Senado, Rodrigo Pacheco prometeu um esforço para conduzir pautas de interesse do Poder Executivo, mas ressalvou que exigirá uma atuação independente e que também buscará diálogo com as demais instituições.

"Espera-se que o governo tenha mais abertura junto a esses presidentes (no Congresso) pra aprovar as reformas", afirmou Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas.

A agenda de reformas estruturais é vista por boa parte dos mercados como essencial para a saúde fiscal do Brasil, num contexto de dívida pública recorde e persistentes temores de que o país fure seu teto de gastos.

"Já de cara pode ser que haja votações importantes, e provavelmente o Congresso vai buscar junto com o governo uma solução para os pacotes de estímulo" em resposta aos danos da Covid-19, disse Cavalcante, ressaltando que o respeito à meta fiscal deve ser mantido e que, apesar do alívio político momentâneo, os investidores seguem atentos à saúde das contas públicas.

Na semana passada, em meio a pressão da oposição por mais gastos com ajuda à população afetada pela Covid-19, Bolsonaro afirmou que a continuidade do auxílio emergencial quebraria o Brasil e teria uma série de outras consequências desastrosas.

Em 2020, o dólar teve salto acumulado de quase 30% contra o real, com a incerteza fiscal sendo apontada como um dos principais responsáveis para a fraqueza da moeda local, assim como o cenário de juros baixos e forte disseminação da Covid.

No exterior, a terça-feira é marcada por otimismo em torno de estímulos econômicos e recuperação global, embora os lockdowns persistentes na Europa diante da disseminação do coronavírus continuassem limitando o bom humor dos investidores.

"A expectativa em torno da aprovação de um pacote fiscal nos EUA traz alívio à aversão ao risco", disseram analistas do Bradesco em nota, citando a notícia de que o presidente americano, Joe Biden, se reuniu na véspera com republicanos de centro para discutir a ajuda federal relacionada à pandemia.