Bolsa sobe e dólar tem leve queda, com dados de inflação acima do esperado e liquidez reduzida

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RIO — A Bolsa sobe enquanto o dólar opera com baixa ante o real no início desta quinta-feira. Em dia de liquidez reduzida devido ao feriado de Ações de Graça nos Estados Unidos, o cenário doméstico dita o ritmo, com destaque para novos dados de inflação.

Por volta de 10h50, o Ibovespa subia 0,64%, aos 105.185 pontos. No mesmo horário, a moeda americana tinha baixa de 0,10%, negociada a R$ 5,5893.

O IPCA-15 subiu 1,17% no mês de novembro, maior alta para o mês desde 2002. Nos últimos doze meses, o acumulado já chega a 10,73%.

O índice foi puxado pela alta nos preços dos combustíveis e deve gerar mais pressão para que o Banco Central (BC) eleve a taxa básica de juros.

No último Boletim Focus, relatório semanal do BC com as expectativas de agentes de mercado, as projeções para a inflação ao término de 2022 avançaram a 4,96%, próximo ao teto da meta de 5%.

Para término deste ano, o patamar já ultrapassou os dois dígitos, com previsão de 10,12%.

Após a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios ficar para semana que vem, os investidores ficam no aguardo da votação da Medida Provisória (MP) que cria o Auxílio Brasil.

Na quarta-feira, o relator da MP, deputado Marcelo Aro (PP-MG), desistiu de criar um mecanismo de correção automática do benefício pela inflação do programa em seu parecer.

Petrobras sobe após anúncios sobre plano e remuneração

Entre as ações, as ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) subiam 1,06% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 1,02%.

Na noite de quarta-feira, a estatal divulgou seu novo plano de investimento. Segundo o documento, a empresa pretende investir US$ 68 bilhões entre 2022 e 2026, dos quais 67% serão destinados para ativos do pré-sal.

O valor é maior que o plano de negócios 2021-2025, que previa investimentos de US$ 55 bilhões. É ainda superior ao plano de 2020-2024, que previa US$ 64 bilhões.

Além disso, o conselho de administração da petroleira anunciou a revisão da política de remuneração aos acionistas da companhia.

Segundo fato relevante ao mercado, a revisão ocorre “em razão da antecipação do alcance da meta” de endividamento bruto abaixo de US$ 60 bilhões no terceiro trimestre deste ano. A meta estava prevista para 2022.

A remuneração mínima será de US$ 4 bilhões em exercícios cujo preço médio do petróleo Brent supere os US$ 40 o barril.

Caso a dívida bruta some até US$ 65 bilhões, com resultado positivo acumulado, a companhia deve distribuir aos acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos.

A Petrobras ainda afirmou que poderá pagar dividendos extraordinários, independentemente do nível de endividamento, e mesmo na hipótese de não registrar lucro líquido.

Para os analistas do Credit Suisse, o plano segue as mesmas diretrizes dos anteriores, mas com foco ainda maior na criação de valor e retorno aos acionistas.

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“Os principais destaques são os maiores compromissos com metas ESG e de descarbonização; os rendimentos de dividendos muito elevados e o alto retorno de capital”, destacaram em relatório os analistas Regis Cardoso e Marcelo Gumiero.

Os analistas enxergam a nova política de distribuição de dividendos como positiva, com destaque para os pagamentos trimestrais e a criação do dividendo mínimo anual.

“A previsão de dividendos do plano transmite uma mensagem inequívoca sobre a forte geração de fluxo de caixa livre da Petrobras e apresenta um argumento convincente de sua avaliação atraente”, destacaram.

O banco tem recomendação de compra para Petrobras, com preço-alvo em US$ 14 para os recibos de ações (ADR) negociados na Bolsa de Nova York (Nyse).

Bancos sobem

As ordinárias da Vale (VALE3) cediam 0,92% e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3) subiam 1,05%.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) tinham leve alta de 0,07%.

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) subiam 0,82% e 0,24%.

Bolsas no exterior

Na Europa, as bolsas operavam com alta. Por volta de 10h55, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres subia 0,13%. Em Frankfurt e Paris, ocorriam avanços de 0,08% e 0,18%.

As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 0,67%. Em Hong Kong, houve alta de 0,22% e, na China, queda de 0,24%.

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