Bolsa tem melhor semana desde março e fecha acima de 130 mil pontos pela 1ª vez

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*ARQUIVO* SÃO PAULO/SP BRASIL. 03/09/2015 - Movimentação em casa de Cambio no shopping center norte, apos alta do dolar. (Foto: Zanone Fraissat/Folhappress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO/SP BRASIL. 03/09/2015 - Movimentação em casa de Cambio no shopping center norte, apos alta do dolar. (Foto: Zanone Fraissat/Folhappress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ibovespa teve sua melhor semana desde março, acumulando alta de 3,64% até esta sexta-feira (4) e ultrapassando os 130 mil pontos pela primeira vez.

Nesta sessão, o índice fechou em alta de 0,40%, a 130.125,78 pontos, novo recorde nominal (sem contar a inflação). Segundo cálculos de Einar Rivero da Economatica, o recorde real é de 2008, quando o Ibovespa foi a 73,5 mil pontos, equivalentes a 150 mil pontos hoje.

Na máxima do dia, chegou a 130.137,29 pontos, batendo também o recorde intradiário, ou seja, da pontuação durante o pregão.

O viés positivo também reverberou no real, e o dólar fechou em queda de 0,94%, a R$ 5,0360, menor nível desde 10 de junho de 2020, quando estava cotado abaixo de R$ 5 pela última vez, a R$ 4,935, segundo dados da CMA. O dólar turismo está a R$ 5,207.

Desde a máxima de R$ 5,79 atingida neste ano, o dólar recua cerca de 13% ante o real. A divisa brasileira ganha força à medida que dados apontam uma recuperação da economia nacional.

Segundo dados do IBGE, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1,2% no primeiro trimestre de 2021 e zerou as perdas registradas desde o início da pandemia do coronavírus, surpreendendo positivamente o mercado, que revisou para cima suas projeções para o crescimento econômico em 2021.

Outro fator para a queda do dólar é o ciclo de alta nos juros. A Selic que estava na mínima histórica de 2% ao ano foi para 3,5% recentemente e, segundo estimativas do mercado, deve terminar o ano em 5,75%.

Juros mais baixos levam a uma queda do dólar ante o real pelo carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e dos juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país —no caso, os Estados Unidos— para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, como o Brasil.

Com o juro americano próximo de zero, acontece uma entrada de dólares no Brasil, o que reduz a taxa de câmbio.

Além disso, com a recuperação das economias de Estados Unidos e China, os preços das commodities estão em alta, beneficiando países exportadores, como o Brasil.

"As contas fiscais melhoram por conta da melhora da arrecadação, por sua vez, ajudada pelo crescimento. E crescimento é tudo que os investidores querem ouvir. Não entendemos com isto que o Brasil já tenha endereçado seus múltiplos desequilíbrios, mas mesmo assim o mercado remove um pouco dos descontos verificados nos preços dos ativos, pelo simples fato que a reabertura da economia se aproxima", afirma a gestora BlueLine em carta a clientes.

A Bolsa da Argentina também bateu recorde nesta sexta. O índice Merval foi a 66 mil pontos, com alta de 2,93%.

Os mercados reagiram aos dados de emprego nos Estados Unidos, que vieram pior do que o esperado. Analistas esperam que os números levem a uma manutenção da política monetária americana atual, de estímulo e liquidez, o que impacta positivamente países emergentes como o Brasil.

Nesta sexta, o Departamento do Trabalho americano divulgou que o país criou 559 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, ante previsão de economistas de 650 mil. A taxa de desemprego caiu de 6,1% para 5,8% entre abril e maio.

A perspectiva de continuação de estímulos por mais tempo levou os principais índices acionários de Wall Street a fecharem em alta. O S&P 500 subiu 0,88, e o Dow Jones, 0,52%. Nasdaq teve ganhos de 1,47%.

No pregão, a maioria das moedas emergentes ganhou força ante a divisa dos EUA. O índice que mede a força global do dólar (DXY) caiu 0,43%.

Na semana, o dólar caiu 3,4% ante o real, sendo a segunda semana consecutiva de queda e a mais intensa desde a semana finda em 7 de maio (-3,75%). Em junho, a moeda recua 3,6%, aprofundando a queda em 2021 para 2,9%.

Na Bolsa brasileira, o destaque positivo foi o Iguatemi, que avançou 5,02%, dada a visão mais positiva de investidores com ações ligadas à retomada da economia, como shoppings. Multiplan teve apreciação de 4,8%, enquanto BRMalls cresceu 4,35%.

O Itaú Unibanco subiu 2,09%, sendo a terceira ação mais negociada do dia. Santander ganhou 3,02%, seguido por Banco do Brasil, com alta de 1,56%.

As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras cresceram 1,57%, acompanhando o impulso nos preços internacionais do barril do petróleo.

A Vale, por outro lado, caiu 1,66%. A mineradora foi notificada sobre interdição de atividades perto da barragem Xingu, levando à paralisação na circulação de trens em um ramal da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), no complexo de Mariana (MG).

CSN perdeu 2,08%, após o governo mineiro obter liminar obrigando a CSN a adotar medidas para evitar o rompimento de barragem da Mina de Fernandinho, em Rio Acima.

Já a BRF cedeu 2,5%. A Marfrig, que caiu 1,3%, informou na véspera que elevou sua fatia na BRF para cerca de 31,66% do capital. Desde meados de maio até quarta, o papel da BRF acumulou alta superior a 40%.

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