Bolsa tem sétima semana de alta com volta dos estrangeiros; dólar subiu a R$ 5,08

João Sorima Neto
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SÃO PAULO — O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, chegou perto do recorde de pontuação anual, pela manhã, mas perdeu força à tarde e fechou no terreno negativo. Ainda, assim, o índice cravou a sétima semana de alta consecutiva, com ganho de 2,50% na última semana.

O índice encerrou a sessão com perda de 0,32% aos 118.023 pontos. Na máxima do dia, chegou a 119.370, se aproximando da maior pontuação do ano. O recorde é 119.527 pontos, alcançado em 23 de janeiro.

Na semana, o Ibovespa subiu com a retomada do fluxo de capital estrangeiro, alta no preço das commodities (especialmente minério de ferro) e a expectativa de aprovação de um novo pacote de estímulos nos Estados Unidos.

Nesta sexta, entretanto, o mercado brasileiro seguiu as bolsas americanas, que fecharam no vermelho com dúvidas dos investidores sobre o pacote de estímulos. O S&P 500 perdeu 0,35%; o Dow Jones recuou 0,41% e o Nasdaq teve queda de 0,07%.

Por aqui, os investidores também aproveitaram para realizar lucros, após o índice ficar próximo ao recorde do ano.

Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, observa que o índice cravou a sétima semana consecutiva, mas a máxima histórica não ocorreu hoje por conta da correção nas bolsas dos EUA.

- Independente das notícias, o fluxo para a bolsa brasileira liderado pelos investidores estrangeiros segue firme e forte e no final das contas isso sustenta o rali do mercado e explica a sequência de alta semanal - diz Ribeiro, lembrando que o saldo líquido está positivo em R$ 11,57 bilhões no mês de dezembro.

Entre as ações com mais peso no índice, as ordinárias da Petrobras recuaram 1,04%, enquanto as preferenciais perderam 0,50%.

Os papéis PN do Bradesco subiram 0,18% e os PN do Itaú recuaram 0,16%. Já as aões ordinárias da Vale se valorizaram 0,69%.

Câmbio com leve alta

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou com leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,08 na venda. Na máxima do dia, a divisa subiu a R$ 5,11. Na mínima, recuou a R$ 5,07.

Na semana, a divisa subiu 0,74%.

No exterior, a moeda americana teve um dia de alta, com investidores comprando a divisa americana, diante do acirramento das tensões entre EUA e China, incertezas em relação ao desfecho do Brexit na Europa, além dos questionamentos em torno da aprovação do pacote de estímulos nos EUA.

No exterior, o dollar spot, índice da Bloomberg que acompanha o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas, subia 0,24% no final dos negócios no Brasil.

"Esse cenário deu um contorno negativo à sessão. O dólar só não subiu mais graças ao leilão de linha do Banco Central, no montante de US$ 2 bi, e ao ingresso de capital estrangeiro no país", escreveram os analistas da Correparti, corretora de câmbio, em relatório a clientes.

O Banco Central realizou nesta sexta um leilão de linha de US$ 2 bilhões para evitar pressões sobre o câmbio no fim do ano. Ontem, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, reafirmou que a autoridade monetária só vai atuar no câmbio quando houver disfuncionalidade.

Mais otimismo para 2021

Relatório do Itaú BBA sinaliza um 2021 mais otimista para a economia, diante do processo de vacinação em massa no mundo.

“Em um ano marcado por forte volatilidade nos mercados, o fim de ano traz perspectivas melhores para 2021 e redução de incertezas sobre a pandemia à medida que se inicia o processo de vacinação no mundo”, afirmaram estrategistas do Itaú BBA em relatório divulgado a clientes.

“Olhando para 2021, projetamos um ano com cenário mais benigno. Nossas projeções, apontam para um crescimento do PIB em 4%, dólar caindo para R$ 4,75 ante uma previsão de R$ 5,00, e teto de gastos sendo cumprido, apesar do cenário desafiador”, diz o relatório do banco.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira que a vacinação em massa da população contra a Covid-19 é o próximo capítulo das medidas de combate à pandemia e que ela será necessária para a retomada da economia.

— O capítulo mais importante vem agora, que é a vacinação em massa. São mais R$ 20 bilhões para a vacinação em massa dos brasileiros — disse o ministro, durante coletiva de imprensa na qual fez um balanço do ano.

No exterior, os investidores acompanham as negociações para um acordo de estímulos à economia de US$ 900 bilhões nos Estados Unidos. O líder da maioria republicana no Senado americano, Mitch McConnell, afirmou que um acordo “bipartidário e bicameral está prestes a acontecer”.