Bolshoi inicia projeto que vai selecionar jovens bailarinos da Cidade de Deus até o fim do ano

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Para qualquer bailarino, a oportunidade seria de fazer as pernas tremerem. Para alunos de balé da Cidade de Deus, foi dia de coques e figurinos impecáveis e de tentar segurar o nervosismo na hora da apresentação, ontem pela manhã. É que na plateia estava ninguém menos que o russo Pavel Kazarian, diretor-geral da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, uma das mais renomadas do mundo. A comunidade da Zona Oeste é uma das apostas da instituição, que, durante seis meses, vai ajudar a ensinar técnicas da companhia para 150 crianças dali. Ao fim do ano, então, vai escolher duas crianças para estudarem na única filial brasileira da escola, que fica em Joinville (SC). Ontem, ao fim da apresentação, a garotada teve aula com professores do Bolshoi, que, em parceria com o Instituto Arteiros, selecionarão os meninos e meninas entre 9 e 11 anos.

— Poucas pessoas sabem que trabalhamos com pessoas de baixa renda. Eles normalmente começam sem nenhum recurso. No entanto, no final temos 70% de empregabilidade. É muito comum, através dos seus esforços, a melhoria de vida. Ficamos atentos a comunidades e projetos sociais que ali existem. Queremos dar à criança oportunidade para que se torne um bailarino profissional e mude de vida — destaca Pavel.

Durante seis meses, além de dança, os alunos terão aulas de produção teatral, reforço escolar, curso de teatro, figurino e moda. Pavel Kazarian diz que o objetivo é passar conhecimento e descobrir novos talentos:

— Aqui na Cidade de Deus, estamos passando para eles as técnicas de forma gratuita. É uma capacitação que poderão levar para a vida, em outros projetos ou até no Bolshoi.

João Rafael Silva Pinto, de 13 anos, foi um dos sete alunos escolhidos para se apresentar para quatro professores da escola russa.

— Comecei em fevereiro deste ano a dançar. Minhas irmãs e a minha mãe diziam que eu tinha uma boa flexão e eu me apaixonei. Num primeiro momento meus amigos acharam estranho, mas eu segui. Podemos fazer o que quisermos. Quero muito ser um dos escolhidos para ir para Santa Catarina — anima-se.

Professora de balé há 7 anos na Cidade de Deus, Priscila Pereira Diniz incentiva crianças de 9 a 11 anos a se em inscrever para a seleção da escola.

— É desafiador e gratificante pensar na oportunidade de forjar para o futuro uma criança que mora dentro da favela, onde sabemos que tudo é limitado. E trocar essa experiência com a maior escola de dança clássica do mundo é inesquecível.

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