Moderado, Bolsonaro exalta imunização e promete Brasil "autossuficiente" em vacinas

Matheus Ribeiro e João Conrado Kneipp
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BRASILIA, BRAZIL - MARCH 22: President of Brazil Jair Bolsonaro gestures during the launch of Programa Aguas Brasileiras amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the Planalto Palace on March 22, 2021 in Brasilia. Brazil has over 12.047,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 295,425 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
BRASILIA, BRAZIL - MARCH 22: President of Brazil Jair Bolsonaro gestures during the launch of Programa Aguas Brasileiras amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the Planalto Palace on March 22, 2021 in Brasilia. Brazil has over 12.047,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 295,425 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
  • Presidente disse que país não deixou de tomar decisões para combater o vírus

  • Promessa é de 500 milhões de doses até o fim do ano

  • "Estamos fazendo e vamos fazer de 2021 o ano da vacinação dos brasileiros"

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou através de pronunciamento em cadeia nacional nesta terça (23) que o Brasil tem 500 milhões de doses garantidas até o final do ano e que a produção nacional vai garantir que o país tenha doses para a vacinação recorrente.

Bolsonaro repetiu o discurso que usa desde o início da pandemia, afirmando que existem dois desafios, o vírus e o desempego. "O governo nunca deixou de tomar medidas importantes tanto para combater o coronavírus como para combater o caos na economia, que poderia gerar desemprego e fome", disse.

O presidente exaltou o número de 14 milhões de vacinados até o momento, afirmando que o país é o quinto que mais vacina no país, e disse que existem mais 32 milhões de doses distribuídas para os estados "graças às ações que tomamos logo no início da pandemia", ignorando que passou a buscar vacinas apenas quando o governador de São Paulo, João Doria, intensificou as negociações com a empresa chinesa Sinovac pela Coronavac.

Durante o pronunciamento, Bolsonaro afirmou que o país alcançará 500 milhões de doses até o fim do ano, listando acordos que foram feitos durante 2020, como os imunizantes adquiridos no consórcio internacional Covax e a liberação de verba para a compra da Coronavac. Ainda no assunto, ele disse que intermediou pessoalmente a compra de 38 milhões de doses da vacina da Janssen e a antecipação de 100 milhões de doses da Pfizer, com quem rejeitou negociar por várias oportunidades no ano passado.

O presidente também destacou que o Brasil é produtor de vacina em território nacional, apesar de no momento os laboratórios só fazerem o envasamento. Além disso, ele garantiu que o país será "autossuficiente" em em vacinas, já que o Brasil teria a condição de produzir os imunizantes localmente, sem a necessidade de importação de matéria-prima, um dos principais problemas do início da campanha de vacinação.

O pronunciamento foi gravado antes do início desta terça como o pior dia da pandemia no país. De acordo com o Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), o Brasil registrou 3.251 mortes nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, o país soma 298.676 óbitos e 12.130.019 casos confirmados.

A mudança pela vacina

Desde o início do mês, diante da perda de popularidade e do aumento das críticas nas redes sociais, o presidente adotou uma estratégia de imagem que foi apelidada de "Plano Vacina".

A iniciativa envolve tanto a troca no comando do Ministério da Saúde, efetuada nesta terça-feira, como uma campanha nacional de vacinação, que deve ser veiculada ainda neste mês.

A peça publicitária preparada pela comunicação da Presidência da República deve estimular a população a se informar sobre a imunização de sua faixa etária e deve explorar a imagem do Zé Gotinha.

Além disso, o presidente adotou uma retórica favorável aos imunizantes, uma mudança em relação a postura adotada no ano passado, quando chegou a criticar a Coronavac, vacina produzida no Brasil pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

Cancelamento no início do mês

No dia 2 de março, Bolsonaro cancelou um pronunciamento pouco após avisar as emissoras de imprensa do país sobre a fala.

Segundo fontes do governo, o chefe do Executivo destacaria o decreto que zera os impostos federais do diesel por dois meses e do gás de cozinha (GLP) de forma permanente, em meio à pressão de caminhoneiros e de parte da população.

O pronunciamento seria também uma forme de reforçar a pressão sob os governadores em relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual.

Dias antes do pronunciamento cancelado, Bolsonaro disse a apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada, que a população deveria “culpar as pessoas certas” pela crise, referindo-se à alta no preço dos combustíveis. “(Os governadores) Jogam a população contra o governo federal como se fosse o único a arrecadar”, apontou.

Histórico de pronunciamentos na pandemia

É a primeira vez que Bolsonaro se pronuncia sobre o coronavírus em 2021. No ano anterior, o presidente falou sobre a pandemia em cadeia nacional por seis vezes, cinco delas em março e abril, com a última acontecendo no dia 24 de dezembro, véspera de Natal.

No primeiro pronunciamento sobre o tema, realizado no dia 6 de março, Bolsonaro afirmou que não havia motivo para "pânico" e que o momento era de união. A segunda fala sobre o tema foi realizada na semana seguinte, no dia 12 de março. O presidente recomendou o adiamento de manifestações que estavam marcadas para o domingo seguinte, devido à recomendação para evitar aglomerações. O próprio Bolsonaro, contudo, acabou participando dos protestos.

No terceiro pronunciamento, Bolsonaro pediu a reabertura do comércio e das escolas e o fim do "confinamento em massa". No quarto, ele recuou no tom de ataque, reforçando as medidas do governo no combate ao coronavírus. No quinto e último da primeira leva, ele elogiou a “decisão histórica” de médico Roberto Kalil Filho, diretor-geral do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, ao ministrar a hidroxicloroquina a pacientes com o vírus.

Já na última oportunidade, na véspera de Natal, o presidente e a esposa, Michelle Bolsonaro, agradeceram o trabalho dos profissionais de saúde e mostraram solidariedade aos familiares das pessoas que foram vítimas da doença.