Bolsonarismo articula nome contra reeleição de Eduardo Paes no Rio

A troca de ataques entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), expôs a ainda incipiente disputa pela prefeitura da capital fluminense em 2024. Paes, que vai tentar a reeleição, terá como adversário ao menos um candidato do campo bolsonarista. Deputado federal eleito, Dr. Luizinho (PP) é visto como um potencial candidato desse campo e conta com a simpatia do presidente da República

O partido de Bolsonaro, o PL, porém, deve lançar um nome próprio. Em entrevista ao GLOBO, o governador Cláudio Castro (PL) confirmou que pretende ter um candidato para a administração municipal. Embora o martelo ainda não tenha sido batido, alguns nomes do partido defendem que o vice-governador eleito, Thiago Pampolha, deixe o União Brasil e migre para o PL, de onde poderá tentar a prefeitura em dois anos.

Caso esta articulação se confirme e Pampolha seja eleito, Castro ficaria sem vice, o que faz necessário eleger um presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) de sua confiança. Rodrigo Bacellar (PL) é visto como o nome ideal pelo governador. Para cacifar Pampolha como um potencial candidato à prefeitura da capital, ele deve assumir uma secretaria no novo mandato.

As falas de Bolsonaro, que definiu Paes como “vagabundo e ingrato”, durante comício na quinta-feira, pelo apoio do prefeito ao ex-presidente Lula, também miram o cargo do prefeito. Não por acaso, Bolsonaro chegou a afirmar que “Paes seria derrotado em 2024”. Em resposta, o chefe do Executivo municipal o desafiou a ser o candidato e afirmou que o venceria.

Outro aliado de Bolsonaro que tenta se viabilizar é Dr. Luizinho. Influente na Baixada Fluminense e na Zona Norte da capital, ele tem acompanhado o presidente em atos pelo estado e chegou a discursar ao lado da primeira-dama Michelle Bolsonaro. O partido dele, o PP, é um dos que compõe a base de Castro na Alerj. No último mandato, a legenda controlou a disputada Secretaria de Saúde. A tendência é que o médico siga com o direito de indicar o titular da pasta.

Do outro lado, Paes vê seus aliados pleiteando o cargo de vice em sua chapa. Seu braço-direito, o deputado federal eleito Pedro Paulo (PSD) tenta se posicionar, enquanto outros aliados, como o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (PSDB) defendem que o posto seja ocupado pelo presidente da Câmara dos Vereadores do Rio, Carlo Caiado (DEM).

Nome da esquerda que já comentou com aliados que pretende ser candidato, Alessandro Molon (PSB) pode trocar de partido e tentar a vaga. Animado com a segunda posição para o Senado neste ano, ele acredita ter aumentado a sua base eleitoral.

Paes foi o principal alvo de Bolsonaro em seu último comício antes do segundo turno. Paes, por sua vez, respondeu através de sua rede social e chamou Bolsonaro de “desqualificado incompetente” e criticou a falta de investimentos no Rio.

Outros políticos presentes também atacaram Paes no evento, como Jorge Felipe Neto (Avante), que afirmou que o prefeito “escolheu o lado da corrupção”. Clarissa Garotinho (União) disse que o apoio de Paes a Lula ocorreu pelo fato de ter se beneficiado de supostas obras superfaturadas durante o mandato do petista. A Zona Oeste da capital é um dos principais polos eleitorais de Paes. Incitada pelos bolsonaristas, a multidão que se reuniu em frente à Paróquia Nossa Senhora do Desterro, em Campo Grande gritou: “fora, Eduardo”.