Bolsonarista e afastada da Assembleia Legislativa: Celina Leão assume governo do DF

Com o afastamento do governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) por sua "conduta dolosamente omissiva" em relação aos atos terroristas praticados por apoiadores radicais de Jair Bolsonaro registrados em Brasília neste domingo, quem assume o governo do Distrito Federal é sua vice, Celina Leão (PP). Enquanto era deputada distrital, integrante do "centrão", Celina foi afastada da Assembleia Legislativa do DF devido a uma denúncia de envolvimento em um esquema de corrupção.

Na noite deste domingo, ela repudiou os ataques golpistas no DF. “Democracia não é a invasão e dilapidação do patrimônio público. Inadmissível a invasão aos poderes da República”, publicou Celina em seu perfil no Twitter, antes do pronunciamento oficial de Ibaneis.

Sua última publicação nessa rede social havia sido no dia 31 de dezembro, com um agradecimento ao ex-presidente Bolsonaro. “Obrigada, Bolsonaro. Nosso sentimento de patriotismo e de querermos sempre o melhor para o Brasil foi resgatado e permanecerá”, escreveu, ao lado de uma foto do ex-presidente com os seguintes dizeres: “Você resgatou o nosso orgulho de ser brasileiro”.

Antes de sua cerimônia de posse enquanto vice-governadora, no dia 1º de janeiro, Celina havia dito que Brasília estava segura para receber a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. “Por determinação do governador Ibaneis Rocha, Brasília está segura, com muito policiamento. A expectativa é de que tudo ocorra da melhor forma possível”, disse, na ocasião.

Deputada distrital por dois mandatos, de 2011 a 2018, Celina se elegeu deputada federal em 2018, quando foi a mais votada na coligação MDB/PP/PSL/AVANTE.

Em março de 2021, durante a pandemia de Covid-19, Celina contratou a ex-mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Valle, para ser sua assessora parlamentar. O cargo ocupado por Ana Cristina no gabinete, denominado SP17, tem vencimentos brutos de cerca de R$ 4 mil, podendo passar de R$ 8 mil com gratificação.

No início do mês seguinte, em abril, Celina e Joice Hasselmann (PSDB), à época filiada ao PSL, tiraram as máscaras de proteção contra a Covid-19 no plenário da Câmara durante uma sessão. Pelo menos 21 servidores do parlamento tinham morrido em decorrência da Covid-19 até àquele momento. Na ocasião, o projeto em questão discutia a prioridade para caminhoneiros na vacinação de Covid.

Em agosto de 2016, durante seu segundo mandato como deputada distrital e enquanto presidia a Casa, Celina foi afastada de seu cargo por suspeita de integrar um esquema de desvio de dinheiro público. A ação, batizada de “Operação Drácon”, cumpriu no total o afastamento de 14 mandados na Câmara Legislativa do DF.

Os demais membros da Mesa Diretora também foram afastados, com exceção do distrital Juarezão (PSB), eleito, na véspera da operação, para vice-presidente da Câmara Legislativa, no lugar da deputada Liliane Roriz (PTB), que entregou gravações comprometedoras sobre o suposto desvio de verba orquestrado pela Mesa.

O esquema criminoso envolveu o pagamento de propina a parlamentares e teria desviado recursos de sobras orçamentárias no valor de R$ 31 milhões às empresas que prestavam serviços à Secretaria de Saúde local, em 2015.

No mês seguinte, os advogados de Celina pediram ao Supremo Tribunal Federal acesso a todas as investigações, com o argumento de que o direito de defesa não foi plenamente exercido antes do afastamento da parlamentar. A ministra Cármen Lúcia negou a liminar.

Em março de 2018, quando o Tribunal de Justiça do Distrito Federal recebeu a denúncia do Ministério Público, Celina se tornou ré na ação. Ainda naquele ano, a defesa de Celina entrou com um recurso para anular a Operação Drácon na Justiça do Distrito Federal.

A 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o recurso por unanimidade, a cinco dias do primeiro turno das eleições de 2018. A então parlamentar e candidata a deputada federal seguiu respondendo por corrupção passiva e foi eleita. No pleito daquele ano, Celina obteve a nona maior votação para deputada federal no DF.

No ano passado, a ação penal da Operação Drácon foi suspendida pelo então presidente do STJ, o ministro Humberto Martins. Ele acatou o argumento de que Celina e outros quatro acusados de corrupção passiva à época, Cristiano Araújo, Júlio César, Raimundo Ribeiro e Bispo Renato Andrade, tiveram o direito de defesa cerceado ao longo do processo.