Bolsonarista que invadiu a Câmara em 2016 é um dos golpistas identificados nos atos terroristas de Brasília

Um dos 56 manifestantes que invadiram a Câmara dos Deputados em 16 de novembro de 2016 foi identificado entre os golpistas que participaram dos atos terroristas em Brasília neste domingo. Marcelo Soares Correa, que se apresenta como Cabo Correa, conseguiu romper a barreira de segurança do Congresso Nacional pela segunda vez e gravou vídeos celebrando o feito no interior da Casa Legislativa. Até esta quarta-feira, o nome de Cabo Correa ainda não havia aparecido entre os presos divulgados pela Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seape-DF).

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— Dessa vez vai — disse o apoiador de Jair Bolsonaro (PL), entre risos, enquanto filmava dezenas de invasores.

Em 2016, o deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) falava na tribuna quando foi interrompido por um grupo que adentrou o plenário com gritos por intervenção federal. Eles se denominavam "Intervencionistas" e se mobilizaram via redes sociais.

À época, os manifestantes entraram no Salão Verde como visitantes e quebraram a porta de vidro, agrediram seguranças e entraram no plenário. "Viva Sergio Moro" e "Nossa bandeira nunca será vermelha" foram alguns dos gritos proferidos.

Em depoimento, os manifestantes afirmaram que estavam à procura de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Magno Malta (PL-ES). A Polícia Federal chegou a abrir um inquérito pelo crime de dano contra o patrimônio da União, arquivado pela Justiça em janeiro de 2017. Por isso, cabo Correa e os demais 55 invasores saíram impunes do episódio.

Ex-candidato, doadores de Bolsonaro e cabos eleitorais: a lista dos presos após os atos terroristas

Nas eleições do ano passado, ele tentou se candidatar como deputado federal pelo PMN do Rio de Janeiro, mas teve o registro indeferido pela Justiça Eleitoral. Em declarações públicas, ele diz ter estado no Exército entre 1982 e 1990, quando teria conhecido Bolsonaro e o senador eleito e ex-vice-presidente, Hamilton Mourão.

De acordo com informações obtidas no portal da Transparência do Governo Federal, Correa não tem vínculo com as Forças Armadas.