Bolsonarista Tarcísio de Freitas é eleito em SP e promete diálogo com Lula

O governador eleito de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou na noite deste domingo que pretende "olhar para frente, para o futuro" e defendeu um entendimento com o futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

— Entendo que o resultado das urnas é soberano. Foi uma eleição dura, apertada. Mostra que temos campos de pensamento que dividem o país, uma mais progressista e uma conservadora. Elas se equivalem politicamente, mas o resultado das urnas é sonerano — afirmou.


O bolsonarista afirmou que ainda não conversou com o presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais, mas que telefonou ao general Braga Netto. — O presidente está tranquilo. Acompanhou os resultados e amanhã trabalha normalmente (...), vai seguir até o fim do mandato — disse Tarcísio.

A jornalistas, o governador eleito de São Paulo descartou ter Bolsonaro no seu secretariado e disse que vai buscar o diálogo com o novo governo Lula.

— Vamos manter o melhor diálogo possível (com o governo Lula), de maneira republicana — disse Tarcísio. O governador afirmou ter uma boa relação com Haddad e que o petista será "integrante do novo governo (federal)".

O bolsonarista disse que recebeu uma ligação de Fernando Haddad (PT) parabenizando-o pela eleição. — Ele se colocou à disposição do Estado de São Paulo em Brasília (no governo Lula) — afirmou Tarcísio.

Tarcísio não quis anunciar ainda membros de seu secretariado e diz que vai discutir a transição de governo com a equipe do atual governador Rodrigo Garcia (PSDB) após "descansar por uma semana". O novo governador, que se mudou para São Paulo há seis meses para disputar as eleições, afirmou que vai morar no Palácio dos Bandeirantes.

Em seu discurso, Tarcísio agradeceu os votos recebidos e afirmou que fará "um governo para 46 milhões de paulistas". Ele reafirmou algumas bandeiras de sua campanha, como o fim da obrigariedade da vacinação entre servidores. A medida é criticada por especialistas.

— A obrigatoriedade da vacinação, realmente, pretendo acabar. Eu confio na consciência das pessoas, na liberdade — ressaltou.

Questionado sobre qual será sua postura em relação às câmeras nas fardas de policiais militares, afirmou que tem "opinião crítica com relação à política". — Mas eu não sou dono da verdade. Muitas pessoas me trazem contrargumentos. (...) Vou discutir com a equipe de segurança e só aí tomar uma decisão — disse.

Durante seu discurso, acompanharam Tarcísio o vice de sua chapa, Felício Ramuth (PSD), e lideranças partidárias como Gilberto Kassab, presidente do PSD e Guilherme Afif Domingos (PSD), ex-ministro e coordenador do plano de governo do bolsonarista. Kassab, no entanto, ficou afastado do púlpito,

Estavam no local, ainda, o deputatos federais Marcos Pereira, presidente do Republicanos, e Gilberto Nascimento (PSC-SP); e o deputado estadual Marco Vinholi, presidente do diretório estadual do PSDB.