Bolsonaristas abandonam roupas e objetos, e militares empilham lixo após esvaziar acampamento no DF

BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  09-01-2023, Soldados do exército desmontam e retiram objetos do acampamento bolsonarista em frente ao QG do exército, após a prisão dos manifestantes golpistas que lá estavam desde o resultado do 2º turno das eleições. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, BRASIL, 09-01-2023, Soldados do exército desmontam e retiram objetos do acampamento bolsonarista em frente ao QG do exército, após a prisão dos manifestantes golpistas que lá estavam desde o resultado do 2º turno das eleições. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Bolsonaristas deixaram para trás móveis, roupas, alimentos, além das estruturas usadas para montar tendas e barracas ao abandonar o acampamento golpista em Brasília nesta segunda-feira (9).

No começo da tarde, militares ainda trabalhavam para limpar a Praça dos Cristais, em frente ao quartel-general do Exército, onde estavam os apoiadores do ex-presidente. Eles desmontaram primeiro as barracas mais simples, feitas com lona e panos, e empilharam lixos e entulhos dos bolsonaristas.

A PM do Distrito Federal e militares do Exército esvaziaram o acampamento nesta manhã, cumprindo a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), dia após extremistas depredarem o Planalto, Congresso Nacional e o Supremo.

Os agentes cercaram o acampamento pela manhã e levaram cerca de 1.500 bolsonaristas para a superintendência da Polícia Federal, em dezenas de ônibus cedidos pelo Governo do Distrito Federal.

Mesmo com a ordem de Moraes, pequenos grupos de manifestantes continuaram no acampamento esvaziado. Alguns haviam escapado do cerco feito pela polícia, enquanto outra parte voltou para a praça depois da ação policial.

No começo da tarde, bolsonaristas buscavam seus pertences no acampamento. Um deles se aproximou dos jornalistas, fez uma oração e disse, gritando, que os manifestantes eram pacíficos.

Pelo menos dois automóveis seguiam em frente ao Exército nesse horário, sendo um deles um caminhão pintado de verde e amarelo, com "liberdade" escrito em adesivos no vidro dianteiro e nas portas.

Militares do Exército afirmaram que as tendas de maior porte, além de móveis como cama, geladeira e fogão, devem ser guardados no quartel e catalogados. Disseram ainda que vão avaliar os pedidos para devolução desses pertences aos golpistas ou para empresas que podem ter alugado as tendas e outros equipamentos.

O inventário será montado pelo Exército até quarta-feira (11), dia em que os radicais que se mantiveram acampados poderão buscar os pertences --entre eles, computadores, celulares e congeladores. A data, no entanto, pode ser adiada a depender da quantidade de objetos encontrados no local.

Houve relatos de tentativas de furto de objetos pessoais durante o desmonte do acampamento, segundo oficiais ouvidos pela Folha de S.Paulo. Soldados foram acionados para conter os assaltantes.

Também havia pelo menos 20 banheiros químicos no acampamento após a ação policial. O cheiro do outro lado da rua da praça, em frente aos banheiros, era de esgoto.

Dezenas de colchonetes e colchões infláveis estavam espalhados pelo gramado. Em uma das barracas ainda havia cadeiras e mesas de plástico com frutas, sucos e outros alimentos, além de roupas no chão.

Os bolsonaristas passaram a acampar no quartel-general após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 30 de outubro. Eles pediam um golpe militar para evitar a posse do petista.

Centenas de golpistas passaram semanas na praça. Eles celebraram datas comemorativas, como o natal e a virada do ano, e montaram barracas com cozinha, locais de culto e de convivência.

Na mesma praça, organizaram atos golpistas. No fim de dezembro, George Washington de Oliveira Sousa afirmou à Polícia Civil do DF que planejou com manifestantes acampados no QG do Exército a instalação de explosivos em pelo menos dois locais da capital federal para "dar início ao caos" que levaria à "decretação do estado de sítio no país", o que poderia "provocar a intervenção das Forças Armadas".