Bolsonaristas agridem aluno da UFPR com garrafas de vidro aos gritos de ‘Aqui é Bolsonaro!’

Fotos: Reprodução.

Fonte: Com informações da Revista Fórum e do Paraná Portal.

Um aluno da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi agredido por apoiadores do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), no início da noite desta terça-feira (9). A agressão ocorreu próximo à Reitoria da universidade, no Centro de Curitiba. De acordo com o Diretório Central de Estudantes (DCE), o jovem sofreu lesões na cabeça causadas por garrafas de vidro quebradas. A violência foi praticada por quatro integrantes de uma torcida organizada aos gritos de “Aqui é Bolsonaro”. 

Testemunhas afirmam que o ataque aconteceu porque a vítima estava com um boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo relatos, os autores fugiram assim que outras pessoas que estavam no local saíram em defesa da vítima. A Polícia Militar foi acionada, mas até o momento diz não ter encontrou os suspeitos.

A vítima foi encaminhada pelo Serviço Integrado ao Trauma em Emergência (SIATE) ao Hospital Cajuru.

A Revista Fórum conseguiu conversar com uma estudante da UFPR que presenciou o momento da agressão, conforme reportagem do portal da revista. A estudante pediu para não ser identificada e preferiu não revelar o nome do rapaz. “Pode dizer que é por medo. O que está acontecendo aqui é um horror. É a terceira ocorrência do tipo só esta semana em Curitiba. Aconteceu em um bar, em frente à universidade. Eles chegaram de repente, eram entre seis e oito, pareciam animais, gritando ‘Aqui é Bolsonaro’”.

A estudante continua: “[ele] estava usando um boné do MST e uma camisa vermelha. Foi o gatilho para que tivessem início as agressões. Bateram muito nele, quebraram várias garrafas. Foi muito rápido e muito violento. Não foi uma simples briga de bar”, disse, sem esconder a emoção. Ela relevou, ainda, que estava se dirigindo ao hospital para tomar ciência do verdadeiro estado de saúde de seu colega.

Nota da UFPR

Em nota, a Universidade Federal do Paraná lamentou o ocorrido:

A Universidade Federal do Paraná lamenta profundamente o ato de violência ocorrido em frente às suas dependências. Um membro da comunidade foi vítima de agressão física, aparentemente por seu posicionamento político. Ele já foi encaminhado para atendimento médico e não corre risco de morte. Vidros foram quebrados na Biblioteca Central e na Casa da estudante universitária.

A Pró-reitoria de Administração e a Superintendência de Infraestrutura prontamente foram acionadas e já tomaram as devidas providências para garantir a segurança no local e boletins de ocorrência foram registrados.

A UFPR repudia veementemente todo e qualquer ato de violência, de preconceito ou de discriminação e entende que os espaços universitários são ambientes de debate e do exercício de liberdade de opinião. Um espaço histórico e simbólico que deve se manter pleno da democracia e de continua resistência à intolerância, à violência e banidas as formas de opressão”.

Casos de violência em nome de Bolsonaro

Este não é o primeiro episódio de violência protagonizado por apoiadores do candidato Jair Bolsonaro. 

Na segunda feira (8) após o primeiro turno das eleições, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, de 63 anos, foi morto a facadas após uma discussão política em Salvador. O agressor, aos gritos, defendia o apoio à Jair Bolsonaro. A discussão terminou com Katendê sendo atingido por 12 golpes de faca. Ele morreu no local.

No dia anterior, quando ocorreu a votação do primeiro turno das eleições, uma jornalista contou ter sido agredida e ameaçada de ser estuprada por dois homens que vestiam uma camisa do candidato do PSL. O caso é investigado pela Polícia Civil de Pernambuco. De acordo com ela, o motivo da agressão seria o fato de ela ser jornalista.

No dia 5 de outubro, um jogo online foi lançado no Steam, na maior plataforma de distribuição de jogos por download do mundo. No jogo, um personagem que imita o presidenciável Jair Bolsonaro precisa espancar negros, mulheres, LGBTI+, militantes do movimento sem-terra, petistas e outros candidatos das eleições 2018 até matá-los virtualmente.

No dia 4 de outubro, Daniel Silveira e Rodrigo Amorim, ambos políticos do partido de Jair Bolsonaro (PSL) divulgaram uma foto em que exibem, sorrindo, um cartaz partido ao meio  com o nome da vereadora Marielle Franco (Psol), assassinada em março. O cartaz onde se lia “Rua Marielle Franco” (que não existe oficialmente) simulava uma placa de rua e foi uma homenagem de simpatizantes da parlamentar e havia sido colocado na Cinelândia, Centro do Rio, diante da Câmara Municipal.

Também na semana de 4 de outubro, um grupo de Bolsonaristas ameaçou cidadãos LGBTI+ no metro de São Paulo. No ritmo de musicas de torcida, os agressores gritavam “Ô bicharada, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado!”, conforme registrado em vídeo que viralizou nas redes sociais. 

Outros episódios de violência estão registrados no site Mapa da Violência (mapadaviolência.org) que tem compilado casos e denúncias de violência ligados às eleições 2018 em todo o Brasil. 

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