Bolsonaristas começam a abandonar quartéis após Lula assumir

Acampamentos de bolsonaristas foram esvaziados após posse de Lula - Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images
Acampamentos de bolsonaristas foram esvaziados após posse de Lula - Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images
  • Eleitores bolsonaristas acreditavam que Lula seria impedido de tomar posse neste domingo

  • Após a entrega da faixa presidencial, eles debandaram dos acampamentos armados após a eleição

  • Vídeo mostra manifestantes golpistas deixando QG do Exército em Brasília

A cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou com o sonho de apoiadores do antecessor, Jair Bolsonaro (PL), que acreditavam que o petista não assumiria o governo do país.

Incentivados por diversas fake news e por pedidos de intervenção militar, alguns manifestantes golpistas ainda confiavam que as Forças Armadas impediriam que Lula tomasse posse neste domingo (1º).

Após a faixa entregue ao novo presidente durante a tarde em Brasília, porém, diversos foram os registros da debandada destes apoiadores bolsonaristas dos acampamentos em que se hospedavam desde a eleição de Lula no fim de outubro.

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra manifestantes deixando, desolados, o acampamento armado em frente ao QG do Exército na capital federal.

Lula afirma que vai revogar o teto de gastos

Em discurso de posse, o presidente Lula (PT) afirmou que acabará com o teto de gastos, que, em sua fala, considerou uma 'estupidez'.

“O SUS é provavelmente a mais democrática das instituições criadas pela Constituição de 1988. Certamente por isso foi a mais perseguida desde então, e foi, também, a mais prejudicada por uma estupidez chamada Teto de Gastos, que haveremos de revogar”, disse Lula.

O que é o teto de gastos?

O teto de gastos é um mecanismo para limitar o crescimento das despesas públicas à inflação registrada no ano anterior. Também chamada de “novo regime fiscal”, a Emenda Constitucional, que tem vigência de 20 anos, poderia ser revista a partir de 2026.

Na prática, o teto congelaria os gastos públicos por, pelo menos, dez anos, já que o aumento em despesas deve seguir a inflação.

Outro nome que o teto de gastos costuma levar é “âncora fiscal’, porque “segura” os gastos do governo em um determinado patamar.

Lula promete novo PAC

Também em seu discurso, Lula afirmou que retomará o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), marca de seus dois primeiros governos.

"Em diálogo com os 27 governadores, vamos definir prioridades para retomar obras irresponsavelmente paralisadas, que são mais de 14 mil no país. Vamos retomar o Minha Casa Minha Vida e estruturar um novo PAC para gerar empregos na velocidade que o Brasil requer", afirmou Lula.

O que é o PAC?

O programa consiste em um conjunto de medidas destinadas a incentivar o investimento privado, aumentar o investimento público em infraestrutura e remover obstáculos – burocráticos, administrativos, normativos, jurídicos e legislativos – ao crescimento.

Punições por descaso na pandemia

O novo presidente também afirmou que o governo Bolsonaro cometeu genocídio durante a pandemia da covid-19 e que as responsabilidades serão apuradas e os responsáveis serão punidos.

Lula subiu o tom do discurso ao falar da pandemia e fez defesa do Sistema Único de Saúde antes de falar das investigações.