Bolsonaristas fazem atos antidemocráticos no Rio e em SP

Três dias depois de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser eleito presidente para seu terceiro mandato, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) protestaram contra o resultado das eleições, em frente ao Palácio Duque de Caxias, no centro do Rio, e na Vila Militar, em Deodoro. Os manifestantes entoaram gritos de “intervenção federal” e carregavam faixas com palavras de ordem contra o Supremo Tribunal Federal (STF), além de pedidos por uma ação das Forças Armadas sobre o resultado das urnas. Outros atos antidemocráticos também foram realizados em dois pontos da cidade de São Paulo.

Vestidos com roupas verde e amarelas, como camisas da Seleção Brasileira — traje característico de atos bolsonaristas — e com bandeiras do Brasil, os manifestantes, não carregam nenhuma associação a Bolsonaro. A falta de referencias ao presidente segue orientação disseminada, nos últimos dias, em canais bolsonaristas nas redes sociais. O motivo é não relacionar Bolsonaro a pleitos antidemocráticos, que poderiam gerar problemas para o atual presidente na Justiça.

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Também foram adotados termos específicos, como o entoado “intervenção federal. Gritos de “Lula na cadeia” também foram repetidos em coro. Os manifestantes chegaram a ocupar duas via da Avenida Presidente Vargas e se aglomeravam em frente ao Palácio Duque de Caxias, próximo à Central do Brasil.

Agentes da Polícia Militar isolaram o entorno da manifestação, junto com policiais do Batalhão de Choque, reforçados com veículos blindados. Durante um momento do protesto, uma viatura da Polícia Civil da 24ª DP (Piedade) passou com o motorista hasteando uma bandeira do Brasil, sob aplausos dos manifestantes.

Um princípio de confusão se iniciou em uma das pontas da avenida, no sentido Candelária. Um grupo de 20 manifestantes com bandeiras antifascistas se posicionavam, em silêncio, sob escolta de agentes do Batalhão de Choque. Quando o grupo resolveu deixar o local, no sentido contrário ao da manifestação, no entanto, foi seguido por bolsonaristas, sob xingamentos e gritos para que fossem embora.

Ainda sob escolta dos agentes, inclusive com viaturas, houve princípio de confusão com um dos apoiadores de Bolsonaro, que tentou furar o cordão da PM para agredir os manifestantes contrários. A situação foi rapidamente contida, e os agentes conduziram o grupo até a Avenida Passos, onde se dispersou.

Em uma das pistas centrais da Presidente Vargas, cerca de 30 caminhões, caminhonetes e guinchos se enfileiraram por volta das 12h30, fechando a passagem de carros na via. Os veículos carregavam também bandeiras do Brasil, e carros estacionados ao lado tocavam hinos como o Nacional e o da Independência, com direito a reverência dos manifestantes.

Nas outras vias, o trânsito também ficou fechado, já que as pessoas se distribuíam nas pistas da avenida, inclusive com carros de som. Ao redor, agentes da PM distribuídos acompanhavam a manifestação.

Atos em São Paulo

Vestidos de verde e amarelo e envoltos da bandeira do Brasil, grupos de apoiadores de Bolsonaro realizaram também manifestações antidemocráticas pela manhã na cidade de São Paulo. Os bolsonaristas se reuniram em frente ao Quartel General do Exército paulista, próximo ao parque Ibirapuera, desde ao menos a noite de terça-feira. O ato aconteceu próximo à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Na tarde desta quarta, a multidão caminha em direção à Avenida Paulista.

Sem reconhecer a vitória de Lula, presidente eleito, eles gritavam “intervenção federal”. Um grupo segurava um cartaz escrito “O Exercito Não Pode Bater Continência Para Um Ladrão". Outra faixa trazia os dizeres “intervenção federal a pedido do povo”.

Os manifestantes bloqueiam o trânsito. Há congestionamento pela região do parque e do bairro Paraíso, onde muitos manifestantes deixaram seus carros para irem a pé até o ato. Na rua Tutóia próxima ao parque, há vários trechos tomados por veículos estacionados. "No local, policiamento reforçado e trânsito desviado para as vias adjacentes", informou a PM-SP. No percurso dos manifestantes até o protesto, pessoas que não concordam com a manifestação gritam "fascistas" e "golpistas" em direção aos bolsonaristas.

Outra manifestação similar foi realizada no bairro de Santana, em frente ao Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. Aproximadamente quarenta pessoas, majoritariamente idosas, defendem a intervenção das Forças Armadas. Com buzinas e bandeiras do Brasil, os militantes se concentravam na calçada e apenas iam a via quando o farol da rua Alfredo Pujol estava fechado. Não há congestionamento.