Bolsonaristas oram por 'derrota' de Lula em frente a quartel, em SP

Bolsonaristas rezam no dia da eleição (Foto: ANDRE BORGES/AFP via Getty Images)
Bolsonaristas rezam no dia da eleição (Foto: ANDRE BORGES/AFP via Getty Images)

Orações, pedidos de intervenção militar e promessa de "ninguém soltar a mão de ninguém". O lema símbolo da derrota da esquerda na eleição presidencial de 2018 ganhou novos donos no acampamento bolsonarista em frente ao Comando Militar do Sudeste, na Zona Sul da cidade de São Paulo.

Em outras partes do estado, manifestantes bolsonaristas voltaram a bloquear parcialmente, de forma ilegal, 13 estradas nesta quinta-feira, depois de todas as vias terem sido liberadas na noite de quarta.

Rodovias em Marília, Pederneiras, Assis, Presidente Prudente, Parapuã, Tupã, Pirajuí, Ourinhos, Bariri, Quintana, Ibirarema, Santa Cruz do Rio Pardo e Iepê estão com interdições parciais, segundo informe da Polícia Militar de São Paulo (PM-SP), às 7h12m.

Cerca de 40 apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) acamparam em frente ao Quartel General do Exército paulista, sede do comando militar, sob um frio de 11°C, chuva e a torcida para por uma reviravolta na eleição, já encerrada, que deu vitória legal a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Munidos de estoques de água, bolacha e salgadinho, eles penduraram faixas pedindo golpe de Estado e entoaram canções contra os adversários.

Por volta das 8h40 desta quinta-feira, oraram por uma vitória de Bolsonaro — que se prepara para passar o poder ao PT —. E pediram união:

— Enquanto o inimigo não for derrotado, não sairemos daqui. Enquanto não alcançarmos a vitória, ninguém solta a mão de ninguém — discursou uma liderança.

Embora Bolsonaro tenha publicado um pedido para que seus apoiadores desobstruam as rodovias pelo país, tomadas por protestos golpistas desde a noite do domingo, com a validação da vitória de Lula, alguns bloqueios continuam pelo país.

No estado de São Paulo, eles foram desarmados, mas os manifestantes seguiram o pedido do presidente para se deslocarem a outros locais e agora mantém indefinidamente o acampamento em frente ao quartel.

Nos chats bolsonaristas de WhatsApp e Telegram, bolsonaristas entenderam o recado presidencial como aval à continuidade dos atos.

Sem qualquer prova de que a eleição tenha sido fraudada — teoria rechaçada pelo próprio governo federal, que deu andamento à transição de poder —, bolsonaristas não reconhecem o resultado das urnas.