Bolsonaristas presos aumentaram em 10% a população carcerária do DF

Relatório aponta superlotação de unidades prisionais do DF após prisão de bolsonaristas envolvidos em atos antidemocráticos

Bolsonaristas presos após atos antidemocráticos aumentaram em 10% a população carcerária do DF, diz relatório. REUTERS/Amanda Perobelli
Bolsonaristas presos após atos antidemocráticos aumentaram em 10% a população carcerária do DF, diz relatório. REUTERS/Amanda Perobelli

- Em relatório, órgãos estimam que população carcerária do DF aumentou 10% após chegada bolsonaristas presos por atos antidemocráticos;

- Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram detidos após atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro;

- Mais de 2 mil extremistas foram detidos, mas maioria foi liberada.

Os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) presos por participação nos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro ou que acampavam em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, já representam 10% do total de encarcerados no Distrito Federal.

A informação consta em relatório realizado pela Defensoria Pública da União (DPU), Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) e pelo Mecanismo Nacional de Prevenção à Tortura (MNPCT).

O documento aponta que as estruturas prisionais não estavam preparadas para receber a “demanda extraordinária”. Ao todo, 2.090 extremistas foram detidos pelos atos antidemocráticos na capital federal. Destes, 1.148 foram liberados.

Homens seguiram para o Centro de Detenção Provisória (CPD) 2 e as mulheres para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF).

O relatório aponta para a sobrecarga no sistema prisional que pode dificultar a situação de quem já estava aprisionado.

Essa alteração na rotina da unidade certamente gerou descontinuidade nos serviços penais”, apontam os órgãos.

Superlotação

No Centro de Detenção Provisória 2, DPU, DPDF e MNPCT apontam superlotação no complexo prisional, indicando que há blocos, por exemplo, com 12 pessoas, quando foram projetados para abrigar 8. Pelo menos quatro pessoas dormiam no chão em cada cela, indicam os órgãos.

Mesmo recebendo kits de higiene, os presos não dispõem de privacidade para “realizarem suas necessidades”. Para outras, falta acesso a remédios de uso contínuo, como medicamentos para hipertensão.

Todavia, os detidos teriam relatado “de maneira unânime” que foram tratados de forma respeitosa e digna, diz o relatório.

No caso das mulheres, os órgãos indicam que a penitenciária também não estava preparada para o quantitativo de pessoas recebido. Além disso, as detidas reclamaram que os policiais responsáveis por escoltá-las não disseram para onde estavam indo.

Acesso a celulares

Quando os extremistas estavam detidos na Academia Nacional de Polícia, os órgãos também realizaram uma visita e constataram que eles tinham cesso a aparelhos celulares e dispunham de atendimento médico. Além disso, puderam conversar previamente com advogados.