Bolsonaristas se ajoelham, abraçam quartel em SP e rezam pai-nosso pelo golpe

SÃO PAULO, SP - 15 /11/22: Bolsonaristas organizam manifestações antidemocráticas no Comando Militar do Sudoeste, na região do Parque Ibirapuera.  (Foto: Karime Xavier/Folhapress)
SÃO PAULO, SP - 15 /11/22: Bolsonaristas organizam manifestações antidemocráticas no Comando Militar do Sudoeste, na região do Parque Ibirapuera. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Bolsonaristas que pedem um golpe de Estado às Forças Armadas fizeram nesta terça-feira (15) uma corrente humana em torno do Comando Militar do Sudeste, em São Paulo.

De mãos dadas ou ajoelhados suplicando em frente ao quartel, os apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) rezaram pai-nosso e ave-maria. Alguns se emocionaram e choraram.

Apoiadores ocupam o local há 16 dias. Eles cobram as Forças Armadas para que promovam um golpe que impeça a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista derrotou Bolsonaro, em uma inédita derrota de um presidente que disputava a reeleição no país.

Os atos antidemocráticos foram inflados com mais gente nesta terça-feira por causa do feriado nacional tanto em Brasília como em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Sob o canto "Forças Armadas salvem o Brasil" e cartazes que dizem #BrazilWasStolen (Brasil foi roubado), milhares de pessoas de verde e amarelo se reuniram nos arredores do Comando Militar do Sudeste —Segunda divisão do Exército, próximo ao parque do Ibirapuera.

Na tarde desta terça, foram dois pontos principais de concentração, um na rua Manoel da Nóbrega e outro na avenida Sargento Mario Kozel Filho, onde fica a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de Sao Paulo)

Para percorrer esta última, eram necessários cerca 40 minutos —o trajeto levaria poucos minutos em um dia comum. Muitos dos acampados ali há 16 dias distribuem sanduíches, água e café de graça em tendas.

Há caixas para doação em dinheiro e pedidos aos gritos: "Manda no zap da família que a gente tá precisando de água".

Um deles, João Mendes disse à reportagem que a tenda recebe ajuda de empresários e militantes. "Empresário do tiro, do agro, todo mundo."

Uma mulher interrompeu para explicar que não se trata de doações exorbitantes. Disse que era manicure e empresária e também ajudava, portanto não havia um financiamento oculto.

Em frente ao quartel, as pessoas cantam o hino nacional, o hino da bandeira e o hino do Exército. São comuns gritos como "SOS Forças Armadas" ou "Se precisar, a gente acampa, mas o ladrão não sobe a rampa", referindo-se ao prasidente eleito.

Quando um helicóptero supostamente da Globo sobrevoou o local, todos entoaram "lixo, lixo, lixo".