Bolsonaristas se ajoelham, abraçam quartel em SP e rezam pai-nosso pelo golpe

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Bolsonaristas que pedem um golpe de Estado às Forças Armadas fizeram nesta terça-feira (15) uma corrente humana em torno do Comando Militar do Sudeste, em São Paulo.

De mãos dadas ou ajoelhados suplicando em frente ao quartel, os apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) rezaram pai-nosso e ave-maria. Alguns se emocionaram e choraram.

Apoiadores ocupam o local há 16 dias. Eles cobram as Forças Armadas para que promovam um golpe que impeça a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaro teve uma inédita derrota para um presidente que disputava a reeleição no país.

Os atos antidemocráticos foram inflados com mais gente nesta terça-feira devido ao feriado nacional tanto em Brasília como em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Sob o canto "Forças Armadas salvem o Brasil" e cartazes com a frase #BrazilWasStolen (Brasil foi roubado), milhares de pessoas de verde e amarelo se reuniram nos arredores do Comando Militar do Sudeste —Segunda divisão do Exército, próximo ao parque do Ibirapuera.

Na tarde desta terça, foram dois pontos principais de concentração, um na rua Manoel da Nóbrega e outro na avenida Sargento Mario Kozel Filho, onde fica a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).

Para percorrer esta última, eram necessários cerca 40 minutos —o trajeto levaria poucos minutos em um dia comum. Muitos dos acampados ali há 16 dias distribuíram sanduíches, água e café de graça em tendas.

Havia caixas para doação em dinheiro e pedidos aos gritos: "Manda no zap da família que a gente tá precisando de água".

Um dos apoiadores, João Mendes disse à reportagem que a tenda recebe ajuda de empresários e militantes. "Empresário do tiro, do agro, todo mundo."

Uma mulher interrompeu para explicar que não se trata de doações exorbitantes. Disse que era manicure e empresária e também ajudava, portanto não havia um financiamento oculto.

Em frente ao quartel, as pessoas cantaram o hino nacional, o hino da bandeira e o hino do Exército. Havia faixas pedindo que o TSE (Tribunal Superior Militar) fornecesse o código-fonte das urnas e outras que diziam "resistência civil", como é chamado o movimento golpista, e "chegou a hora".

"SOS Forças Armadas" e "Se precisar, a gente acampa, mas o ladrão não sobe a rampa", referindo-se ao presidente eleito, foram os gritos mais comuns. Quando um helicóptero supostamente da Globo sobrevoou o local, a multidão entoou "lixo, lixo, lixo".