Bolsonaristas trocam ataques ao STF por mote da liberdade em convocações para 7 de Setembro

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Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em manifestação em Brasília carregam faixa 'Intervenção militar já'
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro planejam ir às ruas no dia 7 de Setembro (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • Bolsonaristas trocam ataques ao STF por mote da liberdade em convocações para 7 de Setembro

  • Análise mostra que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro buscam dar verniz democrático aos atos

  • PF apura a incitação à prática de atos violentos e ameaçadores contra a democracia previstos para dia 7 de setembro

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro planejam ir às ruas no dia 7 de setembro, mas trocaram a pauta, nas redes sociais. Em vez de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), fechamento do Congresso e intervenção militar, as convocações têm agora o objetivo de defesa da liberdade.

A estratégia de substituir lemas de viés anticonstitucional e autoritário surgiu após decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes que autorizou a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson por sua suposta participação em uma organização criminosa digital montada para ataques à democracia.

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Na semana passada, a Polícia Federal também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do cantor Sérgio Reis e do deputado bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ). Os mandados foram autorizados por Moraes.

A investigação apura suposta "incitação à prática de atos violentos e ameaçadores contra a democracia", e a convocação de atos antidemocráticos contra o STF para 7 de setembro. Os investigadores apuram ainda o apoio de empresários do agronegócio a esses movimentos.

Na mesma decisão, Alexandre de Moraes determinou que os alvos de uma operação deflagrada na sexta-feira (20) para investigar ameaças à democracia não se aproximem menos de um quilômetro da Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Entre os alvos da medida estão Sérgio Reis, o cantor Eduardo Oliveira Araújo, os empresários Turíbio Torres e Alexandre Urbano Raitz Petersen, o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, mais conhecido como ‘Zé Trovão’, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja Antonio Galvan, além de Wellington Macedo de Souza, Juliano da Silva Martins e Bruno Henrique Semczeszm.

Verniz democrático

Monitoramento da consultoria Quase, divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, revela que as citações em apoio aos atos explodiram no início de agosto, depois que Bolsonaro começou a convocar os seguidores e indicou que compareceria. As manifestações já estão confirmadas em Brasília e em São Paulo.

Na segunda semana de agosto, as referências à mobilização nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube e Google passaram de 171 mil para 712 mil na semana seguinte. O levantamento mostra que, na semana passada, até quinta, foram mais de 618 mil menções, vinda de 100 mil perfis.

Mensagens com ameaças ao STF e a ministros da Corte foram substituídas pelo discurso de defesa da liberdade, aponta a análise.

Na terceira semana de agosto, mensagens que expressavam críticas ao Supremo chegaram a representar 33% do volume de menções, quando a bandeira da liberdade estava presente em 51% das postagens.

O cenário se alterou a partir da semana seguinte: as referências ao tribunal caíram para 21% do total, enquanto as alusões a liberdade passaram a dominar o debate, respondendo por 63% de todos os conteúdos atrasados à data que circulavam nas redes.

A redução nos ataques ao STF coincide com a formalização do pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), rejeitou a ação.

Nos grupos bolsonaristas, a ordem então passou a defender causas como Estado democrático de Direito, direito à livre expressão e respeito à Constituição, sob o argumento de que são os outros poderes que as descumprem, não o presidente Jair Bolsonaro.

Neste fim de semana, em culto evangélico em Goiânia, Bolsonaro também estimulou as lideranças evangélicas a participarem de atos pró-governo marcados para o feriado de 7 de setembro.

“Sei que a grande, grande maioria dos líderes evangélicos vão participar desse movimento de 7 de Setembro. E assim tem de fazê-lo. Está garantido em nossa Constituição. Espero que não queiram tomar medidas para conter esse movimento”, disse.

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