Bolsonaristas usam vídeo para atacar nome cotado para comandar a Secretaria de Cultura de SP

Assim que o coordenador da transição de governo de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, anunciou os 105 integrantes da equipe, bolsonaristas começaram a bombardear nomes não alinhados ao grupo político. Ainda na tarde da terça-feira, tão logo a lista da transição foi anunciada, um vídeo com ataques a Pedro Mastrobuono, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, vinculado do Ministério do Turismo de Jair Bolsonaro, começou a circular entre bolsonaristas.

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Mastrobuono é um dos integrantes da equipe de transição do governador eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e cotado para comandar a secretaria estadual de Cultura, cujo orçamento é de cerca de R$ 1 bilhão.

No vídeo de um minuto e meio que circula em grupos de mensagens, Mastrobuono é apresentado como "aliado da esquerda" e defensor do "globalismo". A mensagem diz que ele está cotado para ser o secretário de Cultura de Tarcísio e defende que ele não ocupe o cargo.

"Em 2018, Pedro Mastrobuono se juntou aos militantes da UNE, filiados ao Partido Comunista (PCdoB), além de ativistas e artistas engajados, no 'Ato contra a MP 841', em uma defesa da manutenção da irrigação de dinheiro para cultura tal como existia", diz o vídeo, ao som de uma música dramática.

As imagens são do Ato em Defesa da Cultura Brasileira, organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) em julho de 2018 no teatro da PUC-SP. Na ocasião, Mastrobuono participou do evento como vice-presidente da Comissão de Direito às Artes da OAB-SP, diretor do Instituto Volpi e presidente da Associação dos Amigos do Museu de Arte Contemporânea (AAMAC).

A Medida Provisória 841, à qual os manifestantes na PUC-SP se opuseram, tramitava no Senado naquela ocasião e redirecionava parte da arrecadação das loterias federais para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), retirando, portanto, repasses do Fundo Nacional da Cultura (FNC).

Área de atrito

O setor da cultura, um dos campos de maior atrito com o presidente Jair Bolsonaro, é pasta-chave para o bolsonarismo. Na administração federal, a pasta foi ocupada por nomes de passagens curtas e polêmicas.

Em janeiro de 2020, o então secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, foi exonerado do cargo após copiar discurso do nazista Joseph Goebbels, o homem da propaganda de Adolf Hitler.

A sucessora, a atriz Regina Duarte, enfrentou a desconfiança de bolsonaristas, que a acusavam de ser uma intrusa "comunista" no governo, em relação à participação dela em novelas da TV Globo. Ela se desgastou por nomeações não alinhadas ao bolsonarismo que fez. Ela teve dificuldade em exonerar o maestro Flávio Mantovani, que fez comentários relacionando o rock ao aborto e ao satanismo, da presidência da Funarte.

O também ex-ator Mario Frias assumiu a pasta com maior identificaçao ao bolsonarismo. Próximo a Eduardo Bolsonaro, ele foi investigado pelo Ministério Público após realizar uma viagem aos Estados Unidos ao custo de mais de R$ 39 mil com dinheiro público.

O atual secretário de Cultura, e então adjunto de Frias, Helio Ferraz, participou da viagem e agora também tem seu nome cotado por uma ala do bolsonarismo para assumir o comando da Cultura no futuro secretariado de Tarcísio.