Bolsonaro acirra o tom e chama PT de praga a ser varrida para o "lixo da História"

Presidente Jair Bolsonaro durante comício em Curitiba

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente e candidato Jair Bolsonaro (PL) referiu-se nesta sexta-feira ao PT, partido de seu adversário e líder nas pesquisas de intenção de voto, Luiz Inácio Lula da Silva, como praga, e afirmou que sua reeleição irá varrer a sigla para o "lixo da História", à medida em que a tensão e a violência aumentam na campanha eleitoral.

As falas do presidente em um comício no Tocantins ocorreram um dia após um bolsonarista matar a facadas um petista no Mato Grosso, no segundo caso este ano em que um apoiador de Bolsonaro mata um defensor de Lula. Bolsonaro não mencionou o ocorrido.

"Essa praga sempre está contra a população", disse o presidente no comício ao acusar a bancada do PT de votar contra medida que limitou a alíquota do ICMS incidente sobre o combustíveis e outros bens e serviços, por considerar que ela retiraria dinheiros dos Estados.

"Esse pessoal não produz nada, só gera desgraça para o povo brasileiro. Com essa nossa reeleição... pode ter certeza, varreremos para o lixo da História esse partido dito de trabalhadores, mas que, na verdade, é composto por desocupados", acrescentou Bolsonaro.

A violência e agressividade na campanha eleitoral têm ganhado maior proporção ao passo em que se aproximam as eleições, em 2 de outubro.

Na quinta-feira, um apoiador do presidente matou a facadas um simpatizante de Lula, após uma briga motivada por divergência política em uma chácara na zona rural no município de Confresa, no Mato Grosso, de acordo com a Polícia Civil.

Em julho, em Foz do Iguaçu, no Paraná, o guarda municipal e dirigente local do PT Marcelo Arruda foi assassinado a tiros pelo policial penal federal bolsonarista José Guaranho durante sua festa de aniversário de 50 anos, que tinha o ex-presidente como tema. Antes de atirar, Guaranho chegou ao local atacando Lula e o PT e com palavras de ordem pró-Bolsonaro, provocando uma discussão.

O clima entre os candidatos também é marcado por hostilidade. Lula é constantemente chamado de "ladrão", "ex-presidiário" e "nove dedos" pelo presidente. Na quinta-feira, Lula, por sua vez, afirmou que evento do 7 de Setembro convocado por Bolsonaro parecia uma "reunião da Ku Klux Klan", grupo extremista de supremacia branca norte-americano.

A declaração do petista motivou uma ação da coligação de Bolsonaro na Justiça, pedindo que a chapa adversária apresente esclarecimentos. Também solicita que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) remova vídeo com as falas das redes sociais do adversário em que ele faz a comparação.

Em entrevista no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, Lula explicou a comparação. "O palanque aqui da Copacabana, pela fotografia que vi, e só vi na televisão, era a supremacia branca no palanque. Só faltou o capucho, só faltou a máscara. Porque era isso o palanque. Era o palanque de uma elite".

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)