Bolsonaro acusa Leonardo DiCaprio de 'tacar fogo na Amazônia'

Bruno Góes
Queimada em Alter do Chão, no Pará

BRASÍLIA — O presidente da República, Jair Bolsonaro, acusou na manhã desta terça-feira o ator Leonardo DiCaprio de "dar dinheiro" para "tacar fogo na Amazônia".

Na saída do Palácio da Alvorada, ao tirar fotos e conversar com eleitores, ele respondeu a uma mulher quando foi perguntado sobre incêndios "criminosos".

— O Leonardo Di Caprio é um cara legal, não é? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia — disse Bolsonaro.

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Em agosto, Di Caprio anunciou que ONGs ambientais e índigenas brasileiras iriam receber US$ 5 milhões da recém-criada "Earth Alliance", uma iniciativa criada pelo ator em parceria com Lauren Jobs (víuva de Steve Jobs) e o bilionário Brian Sheth (da GWC).

Di Caprio disse ainda que outras doações seriam recolhidas por celebridades e filantropos e que os US$ 5 milhões seriam apenas o início do que esperam se tornar um fundo permanente  para financiar projetos da sociedade civil de restauração e proteção da Amazônia.

Ao citar o ator, Bolsonaro fez um referência indireta a quatro brigadistas presos em Alter do Chão, no Pará, acusados de atear fogo na floresta. Na quinta-feira, a Justiça determinou que os acusados fossem soltos.

O inquérito afirma que o grupo conseguiu “logo após esse incêndio um contrato com a WWF, inclusive eles venderam 40 imagens para a WWF ao custo de R$ 70 mil para uso exclusivo. E com essas imagens a WWF conseguiu financiamentos, inclusive doações a título de exemplo, dor ato Leonardo DiCaprio que doou 500 mil dólares para a WWF auxiliar essas ONGs no combate às queimadas na Amazônia.”

Em nota, o WWF nega que tenha comprado imagens do grupo. A ONG diz que apoiou com equipamentos e afirma que o "fornecimento de fotos por qualquer parceiro da organização é inerente à comprovação das ações realizadas, essencial à prestação de contas dos recursos recebidos e sua destinação no âmbito dos Contratos de Parceria Técnico-Financeira".

O WWF diz também que não recebeu qualquer doação do ator Leonardo DiCaprio, como diz o delegado.

O Ministério Público Federal (MPF) em Santarém (PA) requisitou acesso integral ao inquérito da Polícia Civil do Pará que acusa brigadistas por incêndios florestais em área de proteção ambiental em Alter do Chão.

Paralelamente à investigação da Polícia Civil, a Polícia Federal mantém em andamento um inquérito com o mesmo tema. Porém, segundo o Ministério Público Federal, a investigação federal não detém de nenhum elemento que apontava para a participação de brigadistas ou organizações da sociedade civil.

“Ao contrário, a linha das investigações federais, que vem sendo seguida desde 2015, aponta para o assédio de grileiros, ocupação desordenada e para a especulação imobiliária como causas da degradação ambiental em Alter”, consta do texto divulgado pelo MP.

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João Victor Pereira Romano, Daniel Gutierrez Govino, Marcelo Aron Cwerner (diretor, vice e tesoureiro da ONG Aquífero Alter do Chão) e Gustavo de Almeida Fernandes (diretor de logística da ONG Saúde e Alegria, que atua há 32 anos na região) foram acusados pela Polícia Civil do estado de dano direto à unidade de conservação e associação criminosa. Eles negam todas as denúncias e consideram serem vítimas de uma "armação".

Na tarde desta sexta-feira, o termo "Dicaprio" era um dos mais citados no Twitter. O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, por exemplo, publicou uma foto que tirou com o ator e ironizou: "Juro que nesse dia ele não me disse nada sobre esse negócio de incêndio. Em tempo: para os mal humorados, #tozoando".