Bolsonaro admite que pode escolher outro nome para PF e diz que decisão do STF é 'política'

Daniel Gullino
O presidente Jair Bolsonaro disse que antecipação da segunda parcela de auxílio emergencial foi divulgada sem a sua autorização

O presidente Jair Bolsonaro reafirmou nesta quinta-feira que irá recorrer da decisão que impediu a posse de Alexandre Ramagem no comando da Polícia Federal (PF), mas ao mesmo tempo admitiu que está buscando um novo nome para órgão. Bolsonaro atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela decisão, e disse que o Brasil quase viveu uma "crise institucional". O presidente também afirmou que sua amizade com Ramagem não é motivo para impedir a nomeação.

— Estamos discutindo um novo nome, uma nova composição, para a gente fazer com que a Polícia Federal realmente agora tenha isenção e ajude o Brasil com o trabalho que ela sempre fez desde a sua existência — disse Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada, sem deixar claro se o novo nome seria interino ou permanente.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro reforçou que a Advocacia-Geral da União (AGU) irá recorrer da decisão de Moraes. O presidente disse ter conversado sobre isso com o ministro da Secretaria-Geral, Jorge de Oliveira, mas não deixou claro se tratou do assunto com o novo AGU, José Levi Mello, que na quarta-feira disse que o órgão não iria recorrer.

— Vai recorrer. Conversei contem com o Jorge, também com outros ministros, e vai recorrer. Eu lamento agora que não tem tempo. Demora semanas, meses. Espero que (a nova decisão) seja tão rápida quanto a liminar. Eu espero no mínimo isso do senhor Alexandre de Moraes. No mínimo, espero do senhor Alexandre de Moraes rapidez, para a gente poder tomar as providências.

Bolsonaro afirmou ainda que não "engoliu" a decisão de Moraes, classificada por ele como "canetada":

— Tirar em uma canetada, desautorizar um presidente da República com uma canetada, dizendo em impessoalidade. Ontem quase tivemos uma crise institucional. Quase, faltou pouco. Eu apelo a todos que respeitem a Constituição — disse, acrescentando depois: — Eu não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli. Não é essa forma de tratar o chefe do Executivo, que não tem uma acusação de corrupção, que faz tudo possível pelo seu país.

O presidente disse que sua amizade com Ramagem — que chefiou sua equipe de segurança — não pode ser utilizada para impedir a posse.

— A amizade não está prevista como uma daquelas cláusulas impeditivas para alguém tomar posse — declarou. — É uma pessoa competente segundo a própria Polícia Federal. E daí a relação de amizade? A minha segurança pessoal só não dormia comigo.

Bolsonaro também criticou o ministro, dizendo que ele só foi indicado para o STF por ter "amizade" com o ex-presidente Michel Temer, de quem foi ministro da Justiça.

— Não justifica a questão da impessoalidade. Como é que o senhor Alexandre de Moraes foi para o Supremo? Amizade com o senhor Michel Temer. Ou não foi?