Bolsonaro admite que teme ser preso por Moraes, do STF

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Brazil's President Jair Bolsonaro attends a ceremony to commemorate Public Servant Day, at the Planalto Presidential Palace in Brasilia, Brazil, Wednesday, Oct. 28, 2020. (AP Photo/Eraldo Peres)
Foto: AP Photo/Eraldo Peres
  • Presidente é investigado no inquérito das fake news

  • Bolsonaro fez declarações sem provas sobre insegurança das eleições

  • Ele reclama da 'criminalização' da defesa do voto impresso e do tratamento precoce

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que vê a possibilidade de sofrer “sanção restritiva” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), quando sair do cargo. Ele acredita que é perseguido porque há uma “criminalização” da defesa do voto impresso e do tratamento precoce.

“Você pode ver, quando a gente fala de voto eletrônico e voto impresso, passou a ser crime. Quando você fala em tratamento precoce, passou a ser crime”, disse o presidente. 

Em relação a ambos os temas, especialistas já alertaram que o tratamento precoce promove benefícios à saúde, da mesma forma que o voto impresso não fortalece a democracia. Ao contrário, há evidências dos perigos do “kit covid” e da instabilidade política causada pelo discurso do voto impresso.

“ E o ministro Alexandre de Moraes me botou no inquérito das fake news, o inquérito do fim do mundo. Um inquérito sem participação do Ministério Público. O que eles querem com isso aí? É aguardar o momento para me aplicar uma sanção restritiva, quem sabe quando eu deixar o governo, lá na frente. Isso não é um trabalho que se faça”, continuou o presidente.

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A declaração foi feita nesta segunda-feira (30) à uma rádio de Goiás. Bolsonaro ainda completou: “Você não pode ficar ameaçando os outros. Não pode um ministro apenas ser o dono do inquérito”.

Bolsonaro tem buscado acusar e ameaçar ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas últimas semanas, enquanto o cerco legal a sua volta se fecha.

Inquérito das fake news

No começo do mês, no dia 4 de agosto, o presidente foi incluído por Moraes no inquérito das fake news. Segundo juristas, a investigação tem a possibilidade de, no caso de uma condenação, deixar Bolsonaro inelegível, o que tiraria o atual presidente de uma possível disputa de reeleição em 2022.

Em resposta, disse, em tom de ameaça, que o "antídoto" para a ação não está "dentro das quatro linhas da Constituição".

"Ainda mais um inquérito que nasce sem qualquer embasamento jurídico, não pode começar por ele [pelo Supremo Tribunal Federal]. Ele abre, apura e pune? Sem comentário. Está dentro das quatro linhas da Constituição? Não está, então o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição", disse Bolsonaro, em entrevista à rádio Jovem Pan.

Dois dias antes, por unanimidade em plenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu ao STF para que o presidente fosse investigado no inquérito que apura a disseminação de fake news.

O pedido de apuração foi baseado nos ataques, sem provas, feitos pelo presidente às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral do país.

Bolsonaro e apoiadores vem defendendo fortemente uma suposta fragilidade no sistema de segurança das urnas eletrônicas. Por este motivo, mesmo sem apresentar provas, ele argumenta que as eleições sejam realizadas com o voto impresso — o que ele chama de "auditável".

Na semana passada, porém, em uma live na qual disse que apresentaria provas sobre uma suposta fraude da urna eletrônica nas eleições de 2014 e 2018, Bolsonaro admitiu não conseguir atestar suas declarações.

O presidente da República se contentou em mostrar vídeos antigos divulgados na internet com eleitores reclamando de problemas na hora de votar e um vídeo de um youtuber sobre suposta manipulação da urna eletrônica, que já foi negado pelo TSE.

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