Em live, Bolsonaro alerta caminhoneiros que paralisação vai se voltar contra ele

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Brazilian President Jair Bolsonaro speaks during a ceremony for the signing of the Provisional Measure on the Fuel Market at Planalto presidential palace in Brasilia, Brazil, Wednesday, Aug. 11, 2021. Bolsonaro suffered a major defeat in Congress Tuesday when lawmakers rejected a proposal to require printed receipts at some electronic ballot boxes. (AP Photo/Eraldo Peres)
(Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
  • Nesta sexta, paralisações caíram para quase metade

  • Presidente afirma que manifestação não pode passar de domingo

  • Caminhoneiros buscaram Bolsonaro para saber "o que fazer"

Em seguida ao alerta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em sua live semanal nesta quinta-feira (9), na qual alertou para os riscos de a paralisação de caminhoneiros se voltar contra ele, caso se prolongue. A paralisação começou no dia 7 de setembro e nesta sexta-feira (10) o Ministério da Infraestrutura informou, com base em informações da Polícia Rodoviária Federal, que o número de ocorrências caiu 45% desde a quinta-feira.

Agora, apenas três estados seguem com pontos de concentração com abordagem a caminhoneiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rondônia.

Já nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santos e Paraná não há nenhum ponto de retenção nas rodovias federais. Há aglomerações sem prejuízo à circulação de veículos no Mato Grosso e no Pará. Não há pontos de interdição em rodovias federais.

Na quinta-feira, Bolsonaro recebeu 12 lideranças das manifestações antidemocráticas, as quais classificou como “fantásticas”, mas avaliou que haveriam consequências negativas caso as paralisações seguissem para além de domingo.

"Fui bem claro que se passar de domingo, segunda ou terça a gente começa a ter problemas seríssimos de abastecimento. Influencia na economia, aumenta inflação, isso se volta contra nós, contra eles que fizeram o movimento e contra eu, que sou chefe de Estado”, disse o presidente.

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Bolsonaro contou que os manifestantes buscaram orientações sobre “o que fazer” a partir de agora. O grupo queria entregar um pedido de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas não foram recebidos.

Bolsonaro afirmou que não os influencia, mas elogiou os manifestantes. "Vieram falar o que fazer, né? Eu falei 'olha, vocês pra mim já fizeram uma coisa fantástica, ajudaram esse movimento’. Falaram que iam manter o movimento até domingo. É um direito deles. E que vão suspender o movimento depois de domingo, essa é a ideia de muitos deles ali. Eu não influencio nessa área", disse Bolsonaro. "Não vou influenciar na vida deles, foi fantástico o que fizeram por livre e espontânea vontade, gastando dinheiro do próprio bolso. Deram um recado enorme para todos nós, de todos os poderes: nós devemos respeitar a Constituição. É só isso".

Bolsonaro fala em "harmonia entre Poderes"

Bolsonaro também admitiu que a carta divulgada ontem, em que disse respeitar as instituições, foi escrita junto com o ex-presidente Michel Temer. Ele defendeu o conteúdo da nota – vista como um recuo do presidente após ele ter dito, na terça-feira, que poderia desobedecer ordens judiciais.

Em outro momento, ele citou a inflação e disse que ela "ocorre no mundo todo", afirmando que as pessoas também são responsáveis pelo aumento dos preços.

Para o presidente, parte das cobranças que recebe são injustas. "Eu só sou o chefe da nação. Estou com vocês, eu com tô com o povo, onde o povo estiver, estarei. Para mim é mais fácil ficar dentro do Alvorada, cuidar da minha vida, abandonar o povo. O que é comum, infelizmente, muitos políticos agirem dessa maneira".

A live do presidente aconteceu após a divulgação de uma carta aos brasileiros, na qual afirmou que nunca teve intenção de agredir outros poderes. Agora, o presidente atribuiu os ataques ao "calor do momento".

"A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", declarou.

Durante a transmissão ao vivo, o presidente também admitiu que a carta foi redigida pelo ex-presidente Michel Temer, com quem se reuniu na tarde desta quinta-feira.

Paralisação de caminhoneiros

Depois das manifestações antidemocráticas lideradas por Jair Bolsonaro (sem partido), caminhoneiros que apoiam o presidente interditaram rodovias federais em pelo menos 15 estados na madrugada de quinta-feira (08/09).

As manifestações não foram comandadas por tradicionais entidades e lideranças de caminhoneiros, que recentemente refutaram participar dos atos a favor do presidente Jair Bolsonaro.

A paralisação foi organizada em grupos de WhatsApp e Telegram, e não tem ligação com entidades de classe dos trabalhadores.

Em vídeos nas redes sociais, caminhoneiros autônomos dizem apoiar pautas de Bolsonaro e creditam o aumento dos combustíveis aos governadores, além de fazer ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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