Bolsonaro colocou o "golpe" e a "ruptura" na mesa dos brasileiros

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Brazilian President Jair Bolsonaro takes off his face mask during the signing ceremony of the Provisional Measure that changes the rules for fuel trade, at Planalto Palace in Brasilia, on August 11, 2021. - Bolsonaro questioned once again the reliability of the upcoming elections in Brazil, a day after Congress rejected a proposal to alter the electronic voting system that he criticizes, and added that the bill was not approved because part of the lawmakers had been blackmailed, but did not give further details. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Foto: Evaristo Sá/AFP (via Getty Images)

Se falhar, não terá sido por falta de empenho do presidente da República seu ensaio de “ruptura institucional”. A expressão foi usada não por seus apoiadores com faixas e pedidos tresloucados, mas pelo próprio Jair Bolsonaro em suas redes no sábado 14. A negação em torno dessa possibilidade, que ele diz não desejar nem provocar, já coloca a opção sobre a mesa.

A ruptura desenhada deixou faz tempo de ser um papo de lunáticos.

No mesmo dia em que anunciou a intenção de levar ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido de instauração de processo de “impeachment” contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro compartilhou em um grupo de WhastApp um texto conclamando as pessoas a saírem às ruas em defesa de um “contragolpe” em seu apoio.  

Sabia que o prefixo já colocava a palavra “golpe” na praça.

No manejo da palavra, e na tentativa radicalizar para impedir a radicalização (esqueçam a lógica, o jogo é assim), Bolsonaro mostra quais são suas obsessões num fim de semana comum.

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Quem consegue descansar nos dias de folga num sábado ou domingo ou está fora de si ou mal informado.

Como o ídolo Donald Trump, que também prometia não devolver o trono em caso de derrota e esticou as cordas até onde pôde, Bolsonaro usa a instituição das Forças Armadas como quem jura ter as costas largas para fazer o que, como e quando quiser. 

A estratégia parece ter dobrado a aposta desde que o clã Bolsonaro voltou a se encontrar e receber as ordens dos estrategistas de campanha e governo do ex-presidente dos EUA. Brasil acima de todos? Conta outra.

Bolsonaro quer passar a mensagem de que quem não está com ele está na mira de um conflito inevitável. A mira bolsonarista está apontada até para quem subiu a rampa com ele. Não poupa nem o vice Hamilton Mourão, ridicularizado pelo presidente também em grupos de WhatsApp.

Se botar em prática o que anuncia pelas redes, Bolsonaro dará a Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, um pepino que provocará constrangimento mesmo que não dê em nada. Destituir ministros do STF que desagradam a base bolsonarista não parece ser exatamente a prioridade em um país esfolado fora das redes e assolado pela transmissão comunitária da variante delta, os 570 mil mortos por covid, os quase 15 milhões de desempregados, os risco de racionamento de energia e a inflação próxima dos dois dígitos.

Como fez com o voto impresso, Bolsonaro quer colocar a guerra contra os ministros do Supremo, entre eles o que mandou prender o aliado que ameaçava tacar fogo no país com armas em punho, no centro da conversa pelas próximas semanas.

Enquanto ele estiver onde está, a crise e a ruptura serão estados permanentes, e não apenas momentos críticos ou ameaças veladas.

Em tempo. Quando Luiz Inácio Lula da Silva passou a faixa de presidente para Dilma Rousseff e desembarcou em São Bernardo do Campo, uma multidão de apoiadores o esperava em frente do prédio onde morava com a família. 

Entre os fãs estava o cantor Sergio Reis, que cantou e declarou seu amor ao petista no palanque improvisado. 

Hoje o artista e ex-deputado fala em nome de caminhoneiros e do agronegócio para puxar uma manifestação em defesa do golpe bolsonarista em Brasília. O amor cantado em voz alta em janeiro de 2011 não mudou de nome. Mudou apenas a bajulação por quem ocupa o poder. 

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