Bolsonaro ataca Fachin e erra ao dizer que presidente do TSE tirou Lula da prisão

BELO HORIZONTE E JUIZ DE FORA, MG, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou nesta sexta-feira (15) a colocar sob suspeita a atuação do ministro Edson Fachin na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Bolsonaro tem feito reiterados ataques golpistas contra o sistema eleitoral e já deixou claro, assim como aliados, que pode questionar resultado que não seja a sua vitória.

Nesta sexta, Bolsonaro criticou o fato de Fachin ter dado decisões a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atualmente conduzir o processo eleitoral no país.

"Quem foi que tirou o Lula da cadeia? Foi o ministro Fachin. Onde está o Fachin hoje em dia? Conduzindo o processo eleitoral. Suspeição, ou não é?" questionou, durante encontro com evangélicos em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Em 2021, Fachin anulou as condenações do ex-presidente na Lava Jato, devolvendo os direitos políticos ao petista e mudando completamente o xadrez da eleição presidencial de 2022.

Lula, porém, não foi solto por uma decisão de Fachin, como disse Bolsonaro. O ex-presidente ficou preso por 580 dias em Curitiba e foi solto após o STF, de forma colegiada, ter mudado entendimento sobre prisão após segunda instância, determinando que só pode ocorrer após o trânsito em julgado (fim dos recursos).

Desde então, Lula acumulou vitórias nos tribunais, sendo a mais significativa a ocorrida logo depois, com o julgamento da corte que declarou que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial ao conduzir procedimentos em Curitiba.

Com a declaração de parcialidade, foram anuladas também as ações dos casos do sítio de Atibaia e Instituto Lula, também resultantes da Lava Jato.

É a primeira vez que o presidente vai a Juiz de Fora depois da facada que sofreu na cidade durante a campanha eleitoral de 2018.

Ele criticou as investigações do caso ao falar do período em que esteve internado na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. Mesmo após a Polícia Federal ter encerrado dois inquéritos e concluído que não houve mandantes para o ataque a faca, o presidente afirmou que ainda "tem muita coisa pela frente".

"Mas a gente sabe que as coisas são complicadas no Brasil. Eu não tenho ascendência sobre a Polícia Federal. Me acusam de interferir o tempo todo, mas não acham nada", disse, durante encontro com a equipe médica que o atendeu em 2018.

Bolsonaro não esteve no local exato da facada, na rua Halfeld próximo ao cruzamento com a rua Batista de Oliveira. A região permaneceu com forte policiamento durante todo o período que o presidente esteve em Juiz de Fora. Próximo ao local, eram comercializadas toalhas e bandeiras de Bolsonaro e Lula.

O presidente deixou o aeroporto da cidade por volta das 9h em motociata pelas principais ruas e avenidas de Juiz de Fora. Em parada na avenida Itamar Franco, para cumprimentar apoiadores, foi abordado por uma mulher que o chamou de fascista corrupto.

Em entrevista à reportagem, a mulher, que pediu para não ser identificada, afirmou que mora na região e tinha saído para um passeio com seu cachorro ao se deparar com Bolsonaro. "Eu sabia que haveria uma motociata, mas não imaginava que encontraria o presidente ali", disse.

"Foi uma manifestação política. Cheguei perto dele e falei 'seu fascista corrupto'", contou. A mulher afirmou que, ao terminar de falar, Bolsonaro colocou a mão no seu rosto e empurrou. "Nesse momento chegaram pessoas, não sei se seguranças ou apoiadores, e me afastaram do local", relatou.

A mulher disse ainda que não foi presa e que foi acompanhada pelas pessoas que a retiraram de perto do presidente por apenas alguns metros. Em seguida, foi para casa. A mulher afirmou estar sofrendo ataques nas redes sociais, depois da publicação de um vídeo do momento em que está próxima ao presidente.

Em sua live semanal, na noite desta sexta, Bolsonaro lembrou a passagem e fez piada, dizendo que só uma "lavagem cerebral" poderia "salvar" um militante petista, e que quem é de esquerda após os 20 anos de idade "não tem cérebro". "É o fim da picada ser chamado de corrupto por petista", completou.

Na live, ele também criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que nesta sexta deu 48 horas para o presidente se manifestar sobre as acusações de incitação à violência.

Para Bolsonaro, é "falta de consideração com o chefe do Executivo" fazer tal pedido às vésperas de um final de semana. "Quem vai trabalhar para responder isso aqui é a minha assessoria", disse.

Moraes intimou o presidente a se explicar no âmbito da ação, movida por parlamentares de oposição, que o acusam de disseminar discurso de ódio e incitar a violência, e pedem que ele condene publicamente a morte do guarda municipal petista Marcelo de Arruda, assassinado a tiros em Foz do Iguaçu (PR) por um policial penal bolsonarista —a Polícia Civil disse não ver motivação política no caso.

Bolsonaro minimizou as acusações feitas pelo "pessoal da esquerda" e afirmou que "essas questões aí levam a conflito entre poderes".

"Daqui a pouco vão falar que eu estou atacando o Supremo Tribunal Federal", disse. "Isso [decisão do Moraes] é um ataque, é uma covardia".

Depois da live, Bolsonaro publicou em suas redes sociais uma foto da notícia da decisão de Moraes, com o comentário: "Manifesto que sou contra".

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