Bolsonaro ataca Randolfe por pedir depoimento na CPI : "Não tem o que fazer não?"

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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the announcement that the public healthcare system will cover expanded heel prick tests at Planalto Palace, in Brasilia, on May 26, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the announcement that the public healthcare system will cover expanded heel prick tests at Planalto Palace, in Brasilia, on May 26, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ironizou o requerimento feito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e sugeriu, em sua live nesta quinta (27), que não pretende depor na CPI da Pandemia. Ele atacou Randolfe, vice-presidente da comissão, e o próprio presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).

Além disso, o presidente reforçou o "pedido" feito pelo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), que cobrou à comissão a convocação do pastor Silas Malafaia.

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O requerimento feito por Randolfe na quarta-feira (26) para que Bolsonaro fosse depor na CPI sucedeu a confirmação da convocação de nove governadores para falar sobre os investimentos federais feitos em seus estados para ações de combate à pandemia.

Há incerteza jurídica sobre a legalidade ou não da convocação de chefes do Executivo, especialmente o presidente da República, por uma CPI, que é uma investigação do Legislativo. Juristas interpretam que o ato fere o princípio constitucional da separação dos Poderes.

Ao mencionar Randolfe Rodrigues, Bolsonaro ironizou e o chamou de "saltitante", além de criticá-lo por sua suposta atuação a favor do seguro DPVAT – uma acusação antiga do presidente, que o senador nega.

"Tem uma saltitante na comissão que queria me convocar. Ô, saltitante, tá de brincadeira? Tem o que fazer não, saltitante? Que é conhecido como DPVAT. A gente reduz por 10 vezes o DPVAT para o povão e o cara entra na Justiça e apresenta uma ação para voltar ao valor anterior. Com que interesse?", acusou Bolsonaro.

Pouco antes do ataque a Randolfe, Bolsonaro começou a "pedir" que a CPI convocasse Silas Malafaia, com quem o presidente diz conversar bastante, porque ele seria um conselheiro de Bolsonaro. Durante a CPI, senadores questionaram testemunhas sobre um possível gabinete paralelo, não ligado ao Ministério da Saúde, que aconselharia o presidente sobre políticas envolvendo a pandemia.

"Querem tanto saber quem me aconselha. O Flávio Bolsonaro falou que o Malafaia conversa sempre comigo. Por que não convocam o Malafaia? Tão com medo do Malafaia? É uma das pessoas que mais converso. E esse papinho de que ele é assessor espiritual. Vai plantar batatas, ô, CPI! Ele fala muita coisa comigo. Convoca o malafaia. Tão com medo do Malafaia? Ou tão com medo dos evangélicos, hein?", provocou.

Bolsonaro ainda afirmou que a CPI "parte para a intimidação" contra os depoentes. "Se bem que o Malafaia jamais será intimidado pelo seu caráter e conhecimento. Acho que ele tem o que contribuir com seu testemunho. Convoca o Malafaia, é um pedido meu", reforçou.

Presidente faz "propaganda" de chás que indígenas teriam usado contra covid

Bolsonaro fez a live em São Gabriel da Cachoeira (AM), um território de predomínio indígena, que ele visitou nesta quinta. O presidente iniciou a transmissão afirmando que nenhum indígena havia morrido de covid-19 na comunidade dos balaios.

"Isso foi antes da vacina, porque eles já estão vacinados. Eu perguntei se eles tinham tomado alguma coisa. Segundo eles, foi chá de carapanauba, saracura e jambu. Não têm comprovação cientifica, mas tomaram isso", disse o presidente.

Bolsonaro afirmou que indígenas ianomâmis também tomaram esses mesmos chás e, depois, começou a fazer sua defesa recorrente de medicamentos sem eficácia contra a covid-19, como a hidroxicloroquina e a ivermectina, sem citar o nome dos remédios, e lembrou que se tratou com cloroquina quando contraiu o coronavírus no ano passado.

"O pessoal toma direto aqui na Amazônia, sem receita médica, aquilo que eu tomei, para combater a malária. Ele não mata, assim como os chás não matam", disse.

Na sequência, Bolsonaro provocou o senador Omar Aziz (PSD-AM), que é presidente da CPI da Pandemia, dizendo que ele retirou um projeto de lei de sua autoria 30 minutos depois de esse projeto ter sido divulgado nas redes sociais de Bolsonaro.

Segundo o presidente, o projeto tipificava como crime a prescrição de produtos destinado a fins terapêuticos ou medicinais sem comprovação cientifica. "Aquilo que eu tomei, se o médico tivesse prescrito para mim, eram três anos de cadeia. Se prescrevesse aquilo que eu tomei e fiquei bom", disse.

"O Omar Aziz apresentou esse projeto. E não é só para médico não, era para me atingir também. Se eu voltasse a falar daquilo que mostrei pra ema, eu pegaria três anos de cadeia. Parabéns, Omar Aziz, parabéns, presidente da CPI. Estou no teu estado aqui, que vergonha, hein", atacou o presidente.

Ele ainda criticou o senador e disse que "não entraria em detalhes de como era a saúde no tempo" em que Aziz era governador amazonense, entre 2010 e 2014. "Pelo amor de Deus, Omar Aziz, encerra logo essa CPI e vem aqui fazer outra coisa", declarou Bolsonaro.

O presidente ainda retornou ao assunto dos chás indígenas no fim da transmissão, enquanto mostrava a raiz de saracura. "A saracura, que os índios tomaram, não sei se foi coincidência ou não, mas devemos tentar. Uma decisão mal tomada é uma indecisão. Pode tomar um chá disso aqui e pode curar, pode não curar. Mas, se não tomar, vai pro beleléu", disse o presidente.

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