Bolsonaro caminha sem máscara em corredor de hospital, tem evolução, mas segue sem previsão de alta

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***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 13.07.2021 -  O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 13.07.2021 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passa bem e segue evoluindo, informou nesta sexta-feira (16), por volta de 13h, o hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde ele deu entrada na noite de quarta-feira (14).

O novo boletim médico afirma que Bolsonaro "passa bem e permanece evoluindo satisfatoriamente, com a conduta médica inalterada". A nota, assinada pelo médico Antônio Luiz Macedo e outros quatro medicos, afirma não haver previsão de alta. Ao jornal O Globo Macedo disse prever a alta em dois dias.

Mais cedo, às 11h40, Bolsonaro postou uma foto em que caminha pelo hospital. "Em breve de volta a campo, se Deus quiser. Muito fizemos, mas ainda temos muito a fazer pelo nosso Brasil. Obrigado pelo apoio e orações", escreveu.

Na foto, Bolsonaro está sem máscara, apesar da recomendação do uso da proteção contra a Covid.

A reportagem questionou o hospital sobre a obrigatoriedade do uso da máscara nos corredores, mas ainda não obteve resposta. Na recepção e do lado de fora do hospital, todos os funcionários e médicos circulam com máscaras.

A ausência de máscara desobedece aos protocolos de segurança contra a Covid, na avaliação da infectologista Raquel Stucchi, professora da Unicamp. Segundo ela, o presidente deveria ser obrigado a usar o acessório no hospital.

“Em todas as áreas, a não ser dentro de sua própria casa, as pessoas têm que usar máscara. E, dentro de ambientes de saúde, é preciso usar máscara cirúrgica, inclusive os pacientes em área de internação”, diz.

“Na primeira foto [ao lado de outra paciente, divulgada nesta quinta-feira], possivelmente ele estivesse com dificuldade de colocar máscara por conta da sonda, mas é uma falta de controle de transmissão dentro do próprio hospital, mesmo que os dois tenham PCR negativo, porque a gente sabe que ele não é 100% [garantido]”, comenta.

As regras recomendadas hoje para conter a disseminação da Covid em ambiente hospitalar, reforça Raquel, preveem o uso de máscara. “O comportamento é absolutamente inapropriado. O hospital deveria exigir que ele usasse. Ele teria que estar de máscara o tempo todo”, afirma a infectologista.

Na tarde desta sexta, um senhor circulou pela entrada do hospital sem máscara e foi repreendido por um segurança, que pediu o uso da proteção. O senhor, que é apoiador do presidente, argumentou estar ao ar livre e deixou o local.

A manhã foi tranquila em frente ao hospital, com intensa presença de jornalistas, mas sem acompanhamento contínuo de grupos de apoiadores do presidente. Houve gritos de "genocida" e "fora, Bolsonaro" por transeuntes.

Durante a tarde, o grupo de cinco mulheres que esteve na frente do hospital na quinta-feira (15), retornou. As apoiadoras de Bolsonaro vestiam verde e amarelo e não usavam máscaras.

As apoiadoras discutiram com seguranças do hospital, que não queriam autorizar que faixas fossem penduradas em frente ao prédio. "Se a gente fosse da esquerda, o senhor não ia pedir isso", disse uma delas.

Uma apoiadora também reclamou com a imprensa por não querer ser fotografada.

Um grupo pequeno de policiais militares também passou a se posicionar próximo ao hospital, alguns metros adiante na mesma rua.

Também pela manhã, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) chegou ao local, e a primeira-dama, Michelle, foi vista deixando o hospital.

Na noite de quinta, auxiliares do presidente compartilharam imagem em que ele aparece lendo papéis e indicaram que Bolsonaro segue trabalhando.

O boletim médico anterior, divulgado na noite de quinta, informou que foi retirada a sonda nasogástrica que Bolsonaro estava usando por causa de uma obstrução intestinal, identificada na quarta, quando ele foi internado em Brasília com dores e em meio a uma crise de soluços.

O início da alimentação líquida do presidente estava previsto para esta sexta, mas a nota divulgada pela equipe médica não menciona a questão.

O médico Antônio Macedo, que cuida das cirurgias do presidente relacionadas à facada sofrida em 2018, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo, na quinta, que inicialmente o paciente receberá alimentação líquida, o que é necessário na fase de retomada da atividade digestiva.

Posteriormente, ele passará a receber alimentos pastosos e, finalmente, sólidos.

Na quinta, em entrevista à Rede TV!, Bolsonaro afirmou que estava afastada a necessidade de cirurgia —a transferência do presidente para São Paulo tinha como objetivo inicial verificar se uma operação teria que ser feita.

Ainda na entrevista, Bolsonaro disse que deve ter alta nesta sexta-feira e que as funções intestinais estão se recuperando apenas com o tratamento terapêutico, sem a necessidade de cirurgia.

"Dada a facada que eu recebi e quatro cirurgias, essa obstrução [intestinal] é sempre um risco muito alto. Mas, graças a Deus, de ontem para hoje, evoluiu bastante esse quadro. Então, a chance de cirurgia está bastante afastada", disse o presidente.

Antônio Macedo estava ao lado do paciente durante a conversa e confirmou a melhora. À reportagem, depois da entrevista na TV, Macedo disse que, diferentemente do que havia anunciado Bolsonaro, a alta não está prevista para esta sexta.

"A cirurgia, a princípio, está afastada, uma vez que o intestino começou a funcionar e o abdome está mais flácido e mais funcionante", disse Macedo ao programa da RedeTV!.

O médico afirmou ainda que a sonda gástrica que Bolsonaro está usando deve ser retirada, mas que o mandatário terá que seguir uma dieta líquida.

"O presidente hoje [quinta-feira] melhorou. Ele ainda está de sonda gástrica, nós estamos estudando a retirada da sonda porque os barulhos do abdome são bons, os ruídos são bons", afirmou.

"E aquela área obstruída do lado esquerdo [do abdome], fruto de aderências decorrentes de toda essa complicação que ele teve, já esta mais palpável, pode permitir a retirada da sonda gástrica, ainda garantindo dieta líquida”, explicou o especialista.

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