Bolsonaro chama repórter de 'idiota' após ser questionado por foto com 'CPF cancelado'

João de Mari
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A jornalista havia ressaltado que Bolsonaro foi criticado por publicar a foto em um momento
A jornalista havia ressaltado que Bolsonaro foi criticado por publicar a foto em um momento "onde tantas pessoas estão morrendo" (Foto: Reprodução/Twitter)
  • Bolsonaro chama repórter de 'idiota' após ser questionado por foto com 'CPF cancelado'

  • A expressão é geralmente usada para se referir a pessoas mortas em ações registradas como confronto contra policiais

  • A declaração foi dada um dia após os dados das secretarias estaduais mostrarem que o mês de abril, mesmo antes de terminar, já é o pior em número de mortes

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se irritou ao ser questionado por uma jornalista, nesta segunda-feira (26), sobre uma foto onde ele aparece segurando um cartaz representando um CPF com os dizeres "cancelado" — alusão ao jargão policial para mortes ou execuções. 

Bolsonaro xingou a profissional de "idiota" e ainda a chamou de "menina". "Você não tem o que perguntar, não? Deixa de ser idiota, menina", esbravejou Bolsonaro contra a repórter da TV Aratu, filiada do SBT.

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A agressão verbal aconteceu durante evento de inauguração da duplicação do trecho da BR-101 que liga a Bahia ao Sergipe. A jornalista havia ressaltado que Bolsonaro foi criticado por publicar a foto em um momento "onde tantas pessoas estão morrendo".

Ela referia-se a foto divulgada pelo próprio Palácio do Planalto e de vídeo divulgado no Twitter do presidente nos quais Bolsonaro aparece ao lado do apresentador Sikêra Júnior, e outros apoiadores bolsonaristas, com um cartaz escrito “CPF cancelado”. 

A expressão é geralmente usada para se referir a pessoas mortas em ações registradas como confronto contra policiais. O registro ocorreu na última sexta-feira (23), em Manaus (AM), um dos estados mais afetados pela Covid-19 no Brasil.

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Abril já é o pior mês da pandemia no Brasil

A declaração foi dada um dia após os dados das secretarias estaduais mostrarem que o mês de abril, mesmo antes de terminar, já é o pior em número de mortes desde o início da pandemia de coronavírus no Brasil

Segundo dados das secretarias estaduais de saúde reunidas pelo consórcio de veículos de imprensa, 67.723 óbitos foram registrados no país até sábado (24).

O triste recorde anterior havia sido em março: 66.868 vítimas. Oito das 27 unidades federativas brasileiras (incluindo toda a região Sudeste) tiveram abril como o mês mais letal da pandemia. São eles: 

  • Espírito Santo

  • Minas Gerais

  • Distrito Federal

  • Mato Grosso do Sul

  • Rio de Janeiro

  • São Paulo

  • Amapá

  • Piauí

Todas as unidades, com exceção do Amapá e do Rio de Janeiro, estão no segundo mês consecutivo de recorde de óbitos.

"Não estou preocupado com Lula"

O presidente ainda afirmou nesta segunda-feira (26) que não se preocupa com a CPI da Covid, que não liga para uma possível candidatura do ex-presidente Lula (PT) em 2022 e voltou a fustigar governadores que adotaram medidas restritivas para frear a pandemia.

Em rápida entrevista à imprensa após a inauguração da duplicação de um trecho de rodovia na Bahia e antes de xingar a jornalista, o presidente foi sucinto ao comentar a CPI da Covid, que será instalada no Senado nesta terça-feira (27) em um cenário no qual os governistas serão minoria.

"Eu não estou preocupado com Lula. Minha preocupação é com o Brasil. Se a pessoa votar em pessoa com o passado de Lula, essa é uma pessoa que não entende nada de política e nem da liberdade dele. Veja os outros países da América Latina onde a turma do Foro de São Paulo voltou", disse.

"Não estou preocupado porque não devemos nada", afirmou o presidente sobre a CPI, que irá investigar ações e omissões do governo federal, além de repasses para os estados, durante a pandemia. Bolsonaro voltou a criticar governadores e, mais uma vez, ameaçou usar as Forças Armadas para impedir a adoção de medidas restritivas.

Disse que o papel das Forças Armadas é garantir o cumprimento da Constituição. "[Os governadores] estão seguindo o artigo quinto da Constituição? Está sendo respeitado o direito de ir e vir, o direito de a pessoa ter um emprego, ocupar o tempo para exercitar a sua fé? É só ver se isso está sendo respeitado ou não", disse o presidente.

Sindicato lamenta comportamento de Bolsonaro

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia, por meio de nota oficial, disse que “lamenta mais uma vez ter que emitir nota para criticar o comportamento do presidente da República, Jair Bolsonaro. Mas não pode deixar de manifestar seu repúdio ao xingamento proferido por ele contra a jornalista Driele Veiga, da TV Aratu, chamada de 'idiota' somente por estar exercendo seu ofício, que é entrevistar aquele investido em cargo público”.