Bolsonaro cita crises no país, incluindo golpe de 64, e diz que história pode se repetir

Presidente Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição e é um defensor do período da ditadura, disse nesta quarta-feira que a história pode se repetir neste ano ao citar episódios de crise e ruptura institucional, incluindo o golpe de Estado de 1964, quando, em sua visão, houve desfecho positivo.

"Seguramente passamos por momentos difíceis, a história nos mostra, 22, 35, 64, 16 e 18. Agora, em 22. A história pode repetir. O bem sempre vencendo o mal", disse Bolsonaro durante café da manhã no Palácio da Alvorada, no primeiro compromisso do dia de festejos pelo Bicentenário da Independência.

A transmissão da declaração do presidente foi feita por seu filho Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro, e os anos citados pelo mandatário marcam o início da revolta dos tenentes (1922), a chamada intentona comunista (1935), o golpe de 1964, que mergulhou o país num regime militar até 1985, e o impeachment da então presidente petista Dilma Rousseff (2016). Não está claro qual crise se referia ao citar 2018, ano em que ele foi eleito para a Presidência.

Bolsonaro tem feito seguidos ataques às urnas eletrônicas e tem repetido que respeitará o resultado das eleições se elas foram limpas e transparentes, sem deixar claro o que isso significa. Em alguns momentos já indicou que pode simplesmente não acatar a definição da eleição.

Seus críticos, observadores acadêmicos e adversários políticos apontam para os riscos institucionais da retórica de Bolsonaro que tenta vincular as Forças Armadas à defesa do seu governo --vários militares da reserva tem altos postos na administração e o ministro da Defesa tem ecoado as críticas do presidente às urnas eletrônicas.

"Estamos aqui porque acreditamos no nosso povo e o nosso povo acredita em Deus. Tenho certeza que com perseverança, fazendo aquilo tudo que pudermos fazer e assim fará por nós o que for possível para nós", acrescentou o presidente no Alvorada.

Nesta quarta, Bolsonaro deve discursar em atos em seu apoio em Brasília, ainda pela manhã, e no Rio de Janeiro, à tarde. No 7 de Setembro do ano passado, Bolsonaro participou de eventos em Brasília e em São Paulo, onde fez ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenções de voto para o primeiro turno, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os levantamentos de um possível segundo turno também têm apontado para a vitória do petista.

(Redação Brasília)