Bolsonaro cita segunda ligação de Kajuru mas nega que sabia de gravação

Dimitrius Dantas
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BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro reafirmou nesta segunda-feira que não sabia que o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) estava gravando a conversa por telefone que ambos tiveram no último sábado. No diálogo, Bolsonaro pediu que Kajuru trabalhe pela ampliação do escopo da CPI da Pandemia.

O presidente, entretanto, afirmou que conversou novamente por telefone com o senador no dia seguinte. Nessa ligação, segundo Bolsonaro, Kajuru teria falado que estava "fazendo cortes" e "tirando algumas palavras". Em outro trecho, divulgado pelo senador nesta segunda-feira em entrevista à "Rádio Bandeirantes", Bolsonaro disse que teria que "sair na porrada" com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

— Qual interesse eu teria em combinar ele me gravar? Foi ele que ligou pra mim. Em nenhum momento ele falou "Estou gravando aqui". Fiquei surpreendido no dia seguinte, ele ligou de novo para mim, (dizendo) Estou fazendo uns cortes, não sei o que lá". Fiquei na minha. Manda ele divulgar essa outra ligação — afirmou Bolsonaro em conversa com apoiadores na saída do Palácio do Planalto.

Em entrevista ao GLOBO, Kajuru disse que Bolsonaro sabia que estava sendo gravado.

— É claro que ele sabia. Ele falou tudo aquilo sabendo que eu estava gravando. É evidente. Tanto é que ele quis aproveitar aquela conversa para fazer os desabafos dele. Ele aproveitou aquele momento. Foi uma conversa republicana, mas uma conversa que parecia para ele ser importantíssima. Tipo assim: estou conversando com um doido que vai vazar essa conversa. Ele aproveitou a conversa para passar recado para o STF, para pedir impeachment de ministro — disse Kajuru.

Bolsonaro ri ao saber que Kassio Nunes será relator

Apesar das críticas feita à gravação e vazamento da conversa pelo senador Jorge Kajuru, o presidente Jair Bolsonaro ficou feliz ao ser avisado por um apoiador que o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado como o relator de uma ação que pede que o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, acelere a avaliação sobre o pedido de impeachmento do ministro do Supremo, Alexandre de Moraes. O processo foi impetrado também pelo senador Jorge Kajuru.

Ao ser avisado, Bolsonaro abriu um sorriso e perguntou:

— Caiu pro Kassio Nunes? — disse, rindo.

Logo depois, contudo, o presidente afirmou que não interfere "em lugar nenhum" e novamente criticou o ministro Luís Roberto Barroso por determinar a abertura da CPI da Pandemia.

— Foi clara aquela decisão de um ministro do Supremo para abrir (a CPI) para apurar denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro e não contra quem possivelmente desviou recursos. Estamos ligados desde fevereiro do ano passado na pandemia, quando gente liberou Carnaval, mas tudo bem — disse Bolsonaro.