Bolsonaro diz que tomou cloroquina antes de consultar médico após perceber sintomas de Covid-19

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Brazilian President Jair Bolsonaro delivers a speech during the launch of the Gigantes do Asfalto Program, which aims to reduce bureaucracy for cargo trucking, at Planalto Palace in Brasilia, on May 18, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Brazilian President Jair Bolsonaro delivers a speech during the launch of the Gigantes do Asfalto Program, which aims to reduce bureaucracy for cargo trucking, at Planalto Palace in Brasilia, on May 18, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (20), em sua live semanal, que tomou hidroxicloroquina "por precaução" após sentir sintomas de Covid-19.

Apesar de enfatizar, frequentemente, que defende a medicação caso ela seja prescrita por um profissional, ele afirmou, dessa vez, que tomou a cloroquina antes de procurar um médico. Além disso, sugeriu que as pessoas troquem de médico caso o profissional de saúde responsável pelo atendimento não receite o medicamento.

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Em meio a ataques contra senadores da CPI da Pandemia, ele ainda disse que remédios como esse "prejudicam os negócios das grandes farmacêuticas do Brasil e do mundo", sem apresentar evidências para sustentar a fala.

Logo no início da live, Bolsonaro chamou a CPI de "circo" e criticou o relator Renan Calheiros (MDB-AL) por dizer, segundo o presidente, que a CPI "não vai investigar desvio de recursos".

O presidente também afirmou que não havia assistido ao depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à comissão nesta quinta. "A informação que chega aqui é que o Pazuello foi muito bem. Mas a CPI continua sendo um vexame nacional, não quer investigar desvio de recursos. Querem falar daquele negócio que é usado para combater a malária", disse, em alusão à hidroxicloroquina.

Em seguida, Bolsonaro lembrou que utilizou o medicamento quando foi infectado pelo coronavírus e revelou que usou novamente, sem especificar a data, quando estava com sintomas. Como tem feito recentemente, ele não citou o nome da hidroxicloroquina, dizendo que a live seria derrubada caso ele fizesse isso.

"Eu usei lá atrás, em junho, julho. Tomei o negócio e, no dia seguinte, eu estava bom. E quer saber de uma coisa? Outro dia, eu estava sentindo mal e, antes mesmo de procurar um médico – olha só o exemplo que eu estou dando –, eu tomei, depois, aquele remédio, porque eu estava com sintoma. Tomei, fiz exame e não estava [infectado]. Mas, por precaução, tomei. Qual o problema? Vou esperar sentir falta de ar pra procurar hospital?", ironizou.

"Não vou falar de médico, que tem autoridade. Mas aquela pessoa que fica dizendo que é contra esse remédio que ofereci para ema um tempo atrás, e não oferece alternativa, é um canalha. Se espera você sentir falta de ar pra procurar o hospital, qual o remédio que tem? Tubo", atacou.

Em seguida, disse que alguns senadores tomaram esses medicamentos, afirmando que "a esquerda não toma porque vai matar o verme que eles são", disse, em alusão ao vermífugo ivermectina.

"Tem médicos que não querem receitar nada, tudo bem. O paciente, indo para o hospital... não vou dizer que seja isso, obviamente, mas um paciente hospitalizado na UTI é um paciente que vai gastar muito dinheiro com aquele hospital particular. Não quero dizer que seja isso, mas parece que pelo menos pode-se suspeitar disso aí", disse Bolsonaro, sem esclarecer a hipótese que estava levantando.

Na sequência, fez uma insinuação mais clara. "Bem como o remédio extremamente barato como esse que eu tomei, que é pra combater a malária, prejudica os grandes negócios das grandes farmacêuticas do Brasil e do mundo".

Por fim, disse "não recomendar" a cloroquina, mas sugeriu que o paciente deveria mudar de profissional caso o medicamento não fosse recomendado.

"Mas eu não recomendo, não. Recomendo que você procure um médico se estiver com sintoma, e tenho certeza que o médico vai te receitar alguma coisa. Se achar que ele receitou algo que está errado, você tem o direito, você pode trocar de médico. Procura outro médico, que ele vai te receitar isso que eu tomei no passado e vai safar", afirmou, novamente fazendo referência à hidroxicloroquina.

O enfoque do governo Bolsonaro no chamado "tratamento precoce", que inclui hidroxicloroquina, ivermectina e outros remédios sem eficácia constatada contra a covid-19, é um dos alvos da CPI do Senado, que apura as ações e omissões do governo federal no combate à pandemia.

Bolsonaro, no entanto, disse que a apuração sobre a cloroquina "caiu do cavalo" na CPI, citando um vídeo exibido nesta quinta pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), aliado do governo federal, que descontextualiza citações antigas dos governadores Renan Filho (MDB-AL), Helder Barbalho (MDB-PA) e Flávio Dino (PC do B-MA) sobre esses medicamentos.

"Eles não vão mais falar disso depois que o filho do Renan [Calheiros] e o filho do Jader [Barbalho], entre outros governadores, ofereceram [cloroquina]", declarou Bolsonaro.

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