Bolsonaro comemora apoio dos EUA ao Brasil na OCDE, mas não fala em prazos

Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente Jair Bolsonaro na Casa Branca

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que a notícia de que os Estados Unidos pretendem apoiar a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é "muito bem-vinda", e disse que o país está bastante adiantado nas negociações para ingressar no clube de países ricos, mas não quis falar em prazos.

"Falei com o Paulo Guedes agora pela manhã. A notícia foi muito bem-vinda. A gente vinha trabalhando há meses em cima disso, de forma reservada, obviamente", disse o presidente a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada.

"Houve o anúncio. São mais de 100 requisitos para você ser aceito, estamos bastante adiantados, inclusive na frente da Argentina. E as vantagens para o Brasil são muitas, equivale ao nosso país entrar na primeira divisão", acrescentou.

Na noite de terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, confirmou no Twitter os planos dos EUA de apoiar a proposta do Brasil de entrar na OCDE no lugar da Argentina -- país que inicialmente os norte-americanos haviam dito que queria que fosse o próxima a se juntar ao organismo.

Bolsonaro é um admirador do presidente norte-americano, Donald Trump, e tem buscado laços mais próximos com Washington desde que tomou posse no ano passado.

Questionado se há possibilidade de o Brasil entrar na OCDE até o fim do seu mandato, o presidente disse que não pode falar em prazos, mas afirmou que, se dependesse de Trump, o Brasil já teria ingressado no grupo.

"Depende de outros países também. E nós estamos vencendo resistência e mostrando que o Brasil é um país viável", afirmou Bolsonaro, ao ressaltar que não podia entrar em detalhes sobre os sinais dados pelo presidente dos EUA.

Apoiar a entrada do Brasil na OCDE era visto por muitos como um benefício tangível do alinhamento ideológico entre Bolsonaro e Trump, que têm buscado deixar para trás anos de disputas comerciais e desconfiança política entre os dois países para construir um relacionamento mais próximo.

A associação à OCDE é vista como um selo de aprovação que aumentaria a confiança dos investidores no governo e na economia do Brasil.

No entanto, a tentativa do Brasil de ingressar no clube vinha encontrando alguma resistência em Washington, e Bolsonaro ficou desapontado quando Trump não cumpriu inicialmente sua promessa de apoio ao Brasil e o país teve que se contentar com a vontade dos EUA de esperar a Argentina.

A eleição do presidente de esquerda argentino, Alberto Fernández, parece ter feito o Brasil subir na fila. Mesmo assim, não é provável que a adesão seja imediata.

Em outubro, Bolsonaro disse que a adesão à OCDE era um processo prolongado e que o Brasil levaria até um ano e meio para se tornar membro. Na América Latina, apenas Chile e México estão no clube, enquanto a Colômbia está a caminho de ingressar em breve.


(Reportagem de Ricardo Brito)