Bolsonaro comemorar morte de Lázaro não vai desviar atenção sobre Covid

·2 minuto de leitura

A Segurança Pública voltou ao palco dos debates, a partir da morte da Lázaro Barbosa em Águas Lindas De Goiás, em um confronto com policiais depois de 20 dias de buscas ao latrocida que também havia cometido crimes no Distrito Federal e na Bahia. O presidente Jair Bolsonaro comemorou o desfecho da caçada em dois tuítes, um dos quais com uma expressão irônica preferida dos que defendem a morte de bandidos como política de segurança: "CPF cancelado". Foi um contraponto a questionamentos nas redes da eficiência das forças de segurança de Goiás, que não conseguiram capturar o bandido vivo.

Uma polarização sobre o caso faria o presidente deslocar atenções para um debate que já travou como deputado federal e em que sempre se anima a participar. Mas mesmo que a discussão nas redes perdure, isso não vai livrar Bolsonaro do seu principal problema político: as suspeitas de prevaricação ou conivência na contratação de vacinas Covaxin, em que se concentram os esforços da CPI da Covid no Senado. Comemorar a morte de um bandido não extingue a gravidade, tampouco a continuidade das investigações sobre o caso das vacinas indianas.

Enquanto celebrava o fim de Lázaro nas redes, Bolsonaro voltou a tentar se esquivar do caso Covaxin, alegando não saber tudo o que acontece nos seus ministérios. Seria um álibi com chances de ser bem recebido, já que são 22 pastas. Se não fosse a responsável por combater a pandemia que já deixou mais de meio milhão de mortos no Brasil por causa de uma doença cujo enfrentamento Bolsonaro tornou uma questão política, como tenta fazer agora com o caso Lázaro.

Diante desse quadro, o presidente se arrisca a passar a imagem de que se importa mais com o que fez ou deixou de fazer a polícia de Goiás, que não é de sua alçada, do que com o Ministério da Saúde, que está sob sua responsabilidade direta. O Bolsonaro candidato de 2018 podia apresentar-se como uma voz crítica que iria "mudar isso aí", o que resumia a corrupção e a violência que incomodavam o eleitor. O de 2021 é o presidente, e portanto, parte "disso daí", o que, agora, inclui também as falhas no combate à Covid-19.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos