Bolsonaro compara Itália a Copacabana e coronavírus a gravidez: 'vai passar'

Gustavo Maia e Leandro Prazeres

Para o presidente Jair Bolsonaro, a Itália sofre com mais gravidade as consequências do novo coronavírus por ter uma população mais velha, semelhante à do bairro de Copacabana, no Rio. E a Covid-19 não seria responsável, sozinha, pelas mortes registradas no Brasil e no mundo, pois as vítimas já tem outras "causas mortis" e poderiam ter falecido "se fosse outra gripe qualquer". Ele declarou ainda que a doença é como uma gravidez, que vai gerar uma criança e passar.

Compartilhe por WhatsApp: clique aqui e acesse um guia completo caibre  o coronavírus

Em entrevista na chegada ao Palácio da Alvorada, no fim da tarde desta terça-feira, Bolsonaro disse que ainda não se sabe as consequências "disso tudo" e afirmou que, pelo que parece, a crise na Itália "já começa a regredir". O aumento no número de mortes em 24 horas divulgado nesta terça foi menor que o contabilizado no dia anterior, mas foi de 345 pessoas, totalizando 2.503, segundo a Defesa Civil do país europeu. Já a quantidade de casos ativos de infecções é de 26.062.

— Pelo que parece, não tenho certeza, pela última informação que eu tive, que está faltando confirmação. Agora a Itália é uma cidade... é um país parecido com o bairro de Copacabana, onde cada apartamento tem um velhinho ou um casal de velhinhos. Então são muito mais sensíveis, morre mais gente — declarou o presidente.

Ele então citou como exemplo a segunda morte registrada no Brasil e apontou que, quando se verifica a causa mortis, "tem quatro, cinco itens e tem o coronavírus".

— O que é que se dá atenção? Morreu de coronavírus. É que o coronavírus chegou por último e aquela pessoa já bastante debilitada. Agora tem que se levar em conta como um todo do que aquela pessoa faleceu. Se fosse outra gripe qualquer, poderia ter falecido também — comentou.

Reforçando o que vem defendendo nos últimos dias, ele disse ainda que "a gente não pode ter histeria", argumentando que se "ficar todo mundo maluco, as consequências serão as piores possíveis".

— Tem locais em alguns países que já têm saques acontecendo, isso pode vir para o Brasil, pode ter aproveitamento político em cima disso, a gente não quer pensar nisso daí, mas tem que ter calma. Vai passar. Desculpa aqui, é como uma gravidez, um dia vai nascer a criança. E o vírus ia chegar aqui um dia, acabou chegando.

O presidente também afirmou que um país só estará imune ao novo vírus quando uma parte da sua população for infectada e adquirir os anticorpos, já que não há vacina disponível. O objetivo, segundo ele, é que as pessoas que "infelizmente" vão se infectar o façam em um "espaço de tempo maior do que você porventura não tome as providências".