Bolsonaro confirma que estuda bancar auxílio de R$600 em 2023 com taxação de lucros ou manutenção de emergência

Presidente Jair Bolsonaro

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quinta-feira, que o governo trabalha com dois formatos para efetivar a continuidade do pagamento do Auxílio Brasil no valor de 600 reais no próximo ano: a taxação de lucros e dividendos de pessoas que ganham mais de 400 mil reais por mês ou a manutenção do estado de emergência.

O benefício social para famílias pobres teve seu valor ampliado de 400 para 600 reais neste segundo semestre, mas, em uma medida considerada eleitoreira por críticos, os 200 reais adicionais têm validade apenas até dezembro.

O projeto orçamentário de 2023 encaminhado ao Congresso pelo governo na quarta-feira prevê benefício de cerca de 400 reais para o ano que vem. O presidente, no entanto, garantiu que o valor será ampliado para 600 reais e explicou as formas planejadas pelo governo para financiar o programa, caso ele seja reeleito.

"De onde virá os 200 reais extra para pagarmos os 600 a partir do ano que vem? De dois possíveis lugares: um, se a guerra continuar lá fora, continuamos a emergência aqui da mesma forma como nós passamos mais 200 -- se vota uma Proposta de Emenda à Constituição e o Parlamento vai ser favorável", disse o presidente na tradicional live semanal que transmite via redes sociais.

"E a outra forma é a taxação de lucros e dividendos para quem ganha acima de 400 mil reais por mês... a proposta da equipe econômica é 15%", acrescentou.

Bolsonaro disse que a taxação poderia proporcionar, ainda, a prometida revisão da tabela do Imposto de Renda -- uma promessa feita por Bolsonaro na campanha passada, mas que não foi cumprida.

Mais cedo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia antecipado as propostas estudadas pelo governo para o Auxílio Brasil.

Na live, Bolsonaro argumentou que não tinha como prever os 600 reais de auxílio na peça orçamentária enviada ao Congresso para 2023 porque ainda não há espaço orçamentário para isso.