Bolsonaro conversa com Moraes, em telefonema mediado por Temer

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Na quinta, ao lado de Bolsonaro, Temer ligou para o ministro Alexandre de Moraes.
Na quinta, ao lado de Bolsonaro, Temer ligou para o ministro Alexandre de Moraes. (Foto: REUTERS/Sergio Moraes

Antes da divulgação de nota em que recuou de seus ataques golpistas aos outros Poderes, o presidente Jair Bolsonaro conversou por telefone com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, em ligação mediada por Michel Temer (MDB). 

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do ex-presidente. Temer foi acionado ainda na quarta-feira (8) por Bolsonaro, que buscava conselhos para enfrentar os bloqueios de caminhoneiros e para tentar contornar a crise gerada com o STF. 

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Temer também confirmou que escreveu a declaração divulgada por Bolsonaro.

“Eu estou ajudando a pacificar o país. Até pelo tom da nota, ela é de harmonia entre os poderes. Não fiz mais do que venho fazendo em toda a minha vida pública”, afirmou o ex-presidente.

Nesta quinta-feira (9), durante conversa entre ambos, Temer ligou para Moraes, que foi indicado por ele para o STF. 

Segundo quem acompanhou a conversa, o diálogo foi institucional e Bolsonaro disse o que divulgaria posteriormente na carta pública: falou que não nunca teve a atenção de agredir e que acredita na harmonia entre os Poderes. 

A conversa também tratou da possibilidade de outras ligações futuras entre ambos. 

O QUE DIZ A NOTA DE BOLSONARO

Dois dias depois de dizer que não respeitaria mais as ordens dadas por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro afirmou que nunca teve intenção de agredir outros poderes. Agora, o presidente atribuiu os ataques ao "calor do momento".

"A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", declarou.

Bolsonaro comentou especificamente a questão de Moraes e disse que entende que os conflitos são resultado das decisões do ministro tomadas no âmbito do inquérito das fake news. "Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de 'esticar a corda', a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum."

Leia a nota na íntegra:

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

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