'Brasil não precisa disso', diz Bolsonaro sobre corte de R$ 155 mi de verba da Alemanha

(Foto: AP Foto/Eraldo Peres)

Resumo da notícia

- Por aumento de desmate, governo alemão suspendeu parte dos recursos que iriam para Amazônia.

- Presidente brasileiro sugere que países europeus possam estar interessados “em se apoderar do Brasil?”

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) reagiu neste domingo (11) ao anúncio do governo da Alemanha de que suspenderá repasses a projetos de proteção da Amazônia e sugeriu que os alemães façam bom uso dos recursos. Segundo Bolsonaro, o Brasil não precisa da verba.

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Nesse sábado (10), o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha informou que suspenderia o financiamento de 35 milhões de euros, ou cerca de R$ 155 milhões, em projetos para a proteção da floresta e da biodiversidade na Amazônia. A decisão foi anunciada pela ministra responsável pela pasta, Svenja Schulze, em entrevista ao jornal "Tagesspiegel".

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“Ela [Alemanha] não vai mais comprar a Amazônia, vai deixar de comprar a prestações a Amazônia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso”, devolveu Bolsonaro.

O desmatamento na Amazônia cresceu de modo acentuado nos primeiros meses do atual governo. Só em junho, por exemplo, ele aumentou 88%; em julho, outros 278%, em comparação aos mesmos meses de 2018, de acordo com o Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O governo Bolsonaro tem sido ácido com a divulgação dos dados de desmate e afirmado que eles podem prejudicar acordos comerciais do país. Ainda que oficiais, as críticas do governo são desprovidas de argumentos ou informações científicos.

Indagado em entrevista coletiva se o corte dos repasses poderia afetar a imagem do Brasil, Bolsonaro negou que essa seja uma preocupação dos países europeus.

“Você acha que grandes países estão interessados na imagem do Brasil ou em se apoderar do Brasil?”, indagou.

Política ambiental de Bolsonaro “deixa dúvidas”

Ao jornal alemão, nesse sábado, a ministra definiu que a cooperação só poderá continuar quando o governo de seu país tiver clareza sobre as ações do governo brasileiro a respeito do assunto. "A política do governo brasileiro na região amazônica deixa dúvidas se ainda se persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento", justificou a ministra alemã.

De acordo com o jornal alemão, os R$ 155 milhões se referem a projetos do Ministério do Meio Ambiente em Berlim para iniciativas de proteção climática. O ministério informou já ter disponibilizado 95 milhões de euros (cerca de R$ 425 milhões) desde 2008, por intermédio desse tipo de iniciativa, para projetos de proteção florestal no Brasil.

Para o jornal alemão, "um dos maiores defensores de Bolsonaro é o lobby agrário."

"Embora o governo do presidente direitista, Jair Bolsonaro, esteja comprometido com o objetivo do Acordo Climático de Paris de reduzir o desmatamento ilegal de florestas a zero até 2030 e de iniciar o reflorestamento maciço, a realidade é outra", escreveu o periódico alemão.

"A região amazônica é amplamente utilizada para o cultivo de soja para ração animal e para criação de gado. Por volta de 17% da Floresta Amazônica desapareceu nos últimos 50 anos, alertam os pesquisadores, uma perda de 20% a 25% poderia fazer com que o pulmão verde da Terra entrasse em colapso –ameaçando transformar a região numa vasta savana", completoo o jornal.

A Alemanha apoia ainda o Fundo Amazônia – também voltado ao combate do desmatamento florestal -, pelo qual o Ministério alemão da Cooperação Econômica já injetou até agora 55 milhões de euros (por volta de R$ 245 milhões). A suspensão de projetos, no entanto, afeta apenas o financiamento do Ministério do Meio Ambiente em Berlim.

Com recursos da ordem de aproximadamente 800 milhões de euros (por volta de R$ 3,5 bilhões), a maior parcela do Fundo Amazônia tem a Noruega como principal financiadora. Outra parte, menor, vem da Alemanha. Além de projetos para reflorestamento, a verba contempla ainda proteção à população indígena.