Bolsonaro critica 'foco de corrupção' no antigo Ministério dos Transportes, que era comandado por seu partido

Para elogiar o seu governo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que o antigo Ministério dos Transportes — atual Ministério da Infraestrutura — tinha um "foco de corrupção", o que, segundo ele, não ocorre mais. Os escândalos de corrupção na referida pasta, porém, ocorreram durante a gestão de indicados do PL, atual partido do chefe do Executivo.

Bolsonaro deu a declaração durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, ao lado do ex-ministro de Infraestrutura de Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), hoje candidato ao governo de São Paulo. Tarcísio também atuou no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), justamente como uma espécie de interventor, após seguidos escândalos.

— Quer ver, o ministério dele, Infra, chamava no passado de Transportes. Era um foco de corrupção direto. Pode haver coisa errada lá (agora)? Pode. Mas não tem mais aquilo orgânico — disse o presidente, nesta terça-feira.

O presidente do PL, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, manteve influência no Ministério dos Transportes desde o início do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2003, até o fim do governo Michel Temer (MDB), em 2018.

Bolsonaro, que antes era crítico do Centrão, filiou-se ao PL no fim de 2021, agradecendo a "confiança" de Valdemar.

Em 2011, primeiro ano do governo de Dilma Rousseff (PT), Alfredo Nascimento pediu demissão da pasta em meio a uma série de suspeitas de corrupção. Ele era presidente afastado do PR (nome antigo do PL), e Valdemar era o secretário-geral do partido.

Dilma, então, fez uma espécie de intervenção no Dnit, nomeando um general — Jorge Ernesto Pinto Fraxe — para o comando do órgão. Para a diretoria-executiva, foi escolhido Tarcísio, que tinha a credencial de ser auditor da Controladoria-Geral da União (CGU).

Em 2014, em meio a negociações para a reeleição da petista, o PR voltou a ganhar poder no ministério e pressionou pela saída de Fraxe. Entretanto, Tarcísio acabou sendo nomeado diretor-geral substituto, cargo que ocupou até o fim de 2015.

No início do segundo mandato de Dilma, a legenda indicou Antonio Carlos Rodrigues para comandar o ministério. Quando Michel Temer assumiu a Presidência, em 2016, a sigla manteve o controle da pasta, dessa vez com Maurício Quintella.

Tarcísio chegou a cogitar se filiar ao PL, mas acabou optando pelo Republicanos. Em entrevista ao jornal "Valor Econômico" no ano passado, o ex-ministro foi questionado sobre a atuação do PL nos Transportes e se o partido havia mudado.

— Acho que todo mundo tirou lições aprendidas — disse o ex-ministro na ocasião.

Na mesma entrevista, Tarcísio também foi questionado sobre sua relação com Valdemar e disse que é "cordial":

— É uma relação cordial, uma relação de respeito, relação respeitosa, converso com ele, com alguma frequência e a vinda pro Republicanos teve um caráter de selar a união do Republicanos com a coalizão nacional.

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