Bolsonaro critica reajuste no combustível e afirma que Petrobras pode ter mudanças

Marcelo Freire
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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures as he speaks during a press conference on a new fuel tax policy at Planalto Palace in Brasilia on February 5, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou o reajuste do valor do combustível anunciado pela Petrobras nesta quinta-feira (18) e o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, que é indicado pelo governo federal. Segundo ele, a companhia pode passar por mudanças num futuro próximo.

Nesta quinta, a Petrobras anunciou que os valores em suas refinarias da gasolina e do óleo diesel ficarão R$ 0,23 e R$ 0,34 mais caros, respectivamente, a partir de amanhã. É um aumento de 10% no preço da gasolina, cujo valor já subiu quatro vezes só em 2021, e 15% no do diesel, que registra três altas no ano.

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"Não tem quem não ficou chateado hoje com o reajuste de hoje. A Petrobras tem essa liberdade, ela tem autonomia para reajustar os combustíveis, levando em conta o preço do barril lá fora, o preço do dólar aqui e outros fatores que pesam negativamente", disse o presidente, criticando as decisões de gestões anteriores que teriam gerado uma dívida de R$ 200 bilhões à estatal. "Essa conta não está no colo da Petrobras, ela está na conta do povo brasileiro."

Apesar de poupar a estatal num primeiro momento, Bolsonaro criticou a decisão pelo reajuste, ao mesmo tempo em que anunciou que o governo federal vai zerar o imposto federal no diesel por dois meses e estudará uma maneira de manter essa isenção de maneira definitiva, na tentativa de reduzir o valor do combustível.

"Nesses dois meses, vamos buscar zerar o imposto do diesel, até para ajudar a contrabalancear esse aumento, a meu ver, excessivo da Petrobras. Mas eu não posso interferir, e nem iria interferir, na Petrobras", disse, antes de deixar um aviso. "Se bem que alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias. Você tem que mudar alguma coisa."

Depois, Bolsonaro criticou mais diretamente o presidente da Petrobras ao citar uma reunião do governo federal que tratou sobre a fiscalização de notas fiscais distribuídas pelos postos de gasolina – o presidente citou a existência de fraudes no serviço de abastecimento e também cobra que as notas esclareçam os valores dos impostos federais e estaduais incididos sobre o combustível adquirido.

"Essa salada da nota fiscal... quem fiscaliza é a Receita [Federal]. Tivemos uma reunião ontem, de altíssimo nível, onde nós avisamos sobre a responsabilidade de todo mundo. 'Você, da Receita, não fiscaliza por quê?' O cara não tem resposta. Eu não posso chamar a atenção da Agência Nacional de Petróleo, porque ela é independente. Mas ela tem atribuição também, e não faz nada."

Na sequência, ele fez referência a uma fala de Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, que declarou, no fim de janeiro, que a greve dos caminhoneiros "não era um problema da Petrobras".

"Você vai atrás da Petrobras e ela fala: 'não é obrigação minha'. Ou, como disse o presidente da Petrobras há uns dias: 'Eu não tenho nada a ver com o caminheiro. Aumento o preço aqui e não tenho nada a ver com caminhoneiro.' Foi o que ele falou, o presidente da Petrobras. Isso vai ter uma consequência, obviamente", afirmou.