Bolsonaro criticou operação contra fake news usando gravata com estampa de fuzis

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usa gravata com estampa de fuzis em 28 de maio de 2020

Ao falar com jornalistas na saída do Palácio da Alvorada nesta quinta-feira, o presidente da República, Jair Bolsonaro, chamou atenção não só por criticar a operação que apura fake news e ataques contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Um item em especial de sua roupa gerou uma série de comentários no Twitter por internautas observadores, que enxergaram o detalhe da estampa de sua gravata: fuzis.

Pró-armamento, Bolsonaro defendeu em reunião ministerial que o povo se armasse para evitar uma ditadura. O volume autorizado, que era de 200 cartuchos por ano, passou a ser de até 300 unidades por mês, a depender do calibre do armamento. Isso ocorreu no dia anterior à publicação de uma portaria que elevou a quantidade de munições que civis com posse e porte de armas podem comprar.

Nesta quinta-feira, o presidente defendeu os alvos da operação realizada por determinação STF, dizendo que os investigados, que são seus apoiadores, não são "bandidos". Por isso, ele considerou esta quarta-feira como um "dia triste", mas ressaltou que será o "último", afirmando ainda que está "com as armas da democracia na mão", enquanto carrega, sobre o peito, uma gravata estampada com fuzis.

— Mais um dia triste na nossa história. Mas o povo tenha certeza, foi o último dia triste — disse o presidente, acrescentando depois: — Repito, não teremos outro dia igual ontem. Chega. Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão. Eu honro o juramento que fiz quando assumi a presidência da República.

O conteúdo da reunião ministerial foi divulgado nesta sexta-feira por decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). O vídeo faz parte do inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro interferiu na Polícia Federal, como acusa o ex-ministro Sergio Moro.

– O que esses filha de uma égua quer, ô (Abraham) Weintraub, é a nossa liberdade. Olha, eu tô, como é fácil impor uma ditadura no Brasil. Como é fácil. O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua. E se eu fosse ditador, né? Eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. Aí, que é a demonstração nossa, eu peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assine essa portaria hoj e que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não da pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais –, disse Bolsonaro, segundo a transcrição do vídeo feita por peritos da PF.

A portaria foi publicada no dia seguinte, com a assinatura do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e do então titular da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Na sequência do encontro, Bolsonaro disse que os ministros que não apoiam a defesa da família e do armamento, entre outros pontos, estão no “governo errado”.

— Quem não aceitar a minha, as minhas bandeiras, Damares: família, Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado. Quem não aceitar isso, está no governo errado. Esperem pra vinte e dois, né? O seu Álvaro Dias. Espere o Alck.min. Espere o Haddad. Ou talvez o Lula, né? E vai ser feliz com eles, pô! No meu governo tá errado! É escancarar a questão do armamento aqui. Eu quero todo mundo armado! Que povo armado jamais será escravizado. E que cada um faça, exerça o teu papel. Se exponha. Aqui eu já falei: perde o ministério quem for elogiado pela folha ou pelo globo! Pelo antagonista! Né? Então tem certos blogs aí que só tem notícia boa de ministro. Eu não sei como! O presidente ... leva porrada, mas o ministro é elogiado. A gente vê por aí. "A, o governo tá, o ... o ministério tá indo bem, apesar do presidente.". Vai pra puta que o pariu, porra! Eu que escalei o time, porra”.