Bolsonaro dá tom eleitoral à festa do bicentenário em entrevista à TV Brasil

Bolsonaro chega ao Itamaraty na noite de terça-feira

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, deu um tom eleitoral à festa do bicentenário da independência do país em entrevista à TV e já nos primeiros lances do feriado.

Em entrevista à TV Brasil pela manhã, Bolsonaro elencou os feitos do seu governo --a menos de um mês para o primeiro turno das eleições-- e convocou às pessoas a irem às ruas para comemorar a data, ecoando o que tem feito durante a campanha.

"Temos hoje já uma das gasolinas mais baratas do mundo. Temos o maior projeto social do mundo, os 600 reais do Auxílio Brasil, levamos água para o Nordeste. Hoje, incluímos aqueles até pouco tempo excluídos, obviamente, no mercado, com o PIX, o PIX mais de 100 milhões de pessoas têm o PIX", elencou ele, entre outras iniciativas.

"Então, o povo brasileiro que hoje está indo às ruas para festejar 200 de independência e uma eternidade de liberdade, o que tá em jogo é a nossa liberdade, é o nosso futuro", disse Bolsonaro, repetindo o que costuma falar em seus comícios. "Então, a todos do Brasil, compareçam às ruas, dá tempo ainda, de verde e amarelo, as cores da nossa bandeira, para festejar e comemorar a terra onde vivemos."

Antes do início do desfile na Esplanada dos Ministérios, o presidente desfilou em carro aberto saindo do Palácio da Alvorada e depois caminhou até a arquibancada onde iria acompanhar a cerimônia perto dos populares, acenando aos presentes.

Em um dado momento, ele quebrou o protocolo de segurança e foi cumprimentar as pessoas que estavam no gradil de proteção --cenas essas registradas pela equipe de campanha à reeleição dele.

Na plateia, houve gritos de "Lula, ladrão" e a "nossa bandeira jamais será vermelha", essa última fala chegou a ser entoada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro discretamente.

O presidente posou para fotos ao lado do vice-presidente, general da reserva Hamilton Mourão, do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e do candidato a vice na sua chapa à reeleição, o também general da reserva Walter Braga Netto.

O Ministério Público Federal abriu inquérito para cobrar do governo que adote medidas para evitar que os atos oficiais e o desfile cívico-militar por ocasião do 7 de Setembro não sejam confundidos com atos político-partidários.

Bolsonaro acompanhou o início da cerimônia ao lado da mulher, do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa e de outras autoridades. Ele também teve a seu lado o empresário bolsonarista Luciano Hang, que foi convocado pelo chefe do Executivo para participar do ato após ter sido alvo, semanas atrás, de uma operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, desafeto do presidente.

Os presidentes do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Supremo, Luiz Fux, não participam da solenidade.

Durante o desfile, em um dia de céu nublado após dias de intenso calor e ar seco, já ocorreu um sobrevoo da esquadrilha da fumaça. Houve também um incomum desfile de 28 caminhões, setor que tem dado forte apoio ao governo.