Bolsonaro decidiu não se vacinar contra o coronavírus

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O presidente Jair Bolsonaro em setembro de 2021, em Brasília (AFP/EVARISTO SA)
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O presidente Jair Bolsonaro decidiu, por fim, não se vacinar contra a covid-19, após repetir durante meses que seria "o último" brasileiro a receber o imunizante.

"Eu decidi não tomar mais a vacina. Eu estou vendo novos estudos, a minha imunização está lá em cima, para que vou tomar a vacina?", disse o mandatário de 66 anos na terça-feira (12) à noite, em entrevista à rádio Jovem Pan.

"Seria a mesma coisa que você jogar dez reais na loteria para ganhar dois reais. Não tem cabimento isso", alegou o presidente, um descrente em relação ao coronavírus.

Depois de contrair o vírus em julho de 2020, Bolsonaro garantiu em várias ocasiões que seus testes revelam um alto nível de anticorpos e que, portanto, não seria necessário tomar a vacina, algo refutado por especialistas.

Muito criticado por sua gestão da crise de saúde em um país onde a doença já deixou mais de 600 mil mortos, ele é contra a obrigatoriedade da vacina e do passaporte sanitário, medida aplicada em vários países para controlar o acesso a determinados locais.

“Para mim, é liberdade acima de tudo. Se o cidadão não quer tomar a vacina, é um direito dele e ponto final”, acrescentou o presidente durante a entrevista.

Até o momento, quase 100 milhões dos 213 milhões de brasileiros estão totalmente imunizados e 150 milhões tomaram pelo menos a primeira dose.

A recusa de Bolsonaro em ser vacinado rendeu a ele muitas críticas no exterior, especialmente durante sua visita a Nova York no final de setembro por ocasião da Assembleia Geral da ONU, que recomendava a imunização dos participantes.

A caótica gestão da pandemia pelo presidente, especialmente o atraso na aquisição das vacinas, vem sendo objeto de investigação há meses em uma CPI do Senado. Seu relatório final, a ser apresentado na terça-feira, pode ser mais um duro golpe para Bolsonaro, que já é alvo de várias investigações judiciais.

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