Bolsonaro declara apoio a candidato em Belém

Gustavo Maia
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BRASÍLIA — Depois de ver grande parte dos aliados que apoiou no primeiro turno das eleições municipais fracassarem nas urnas, o presidente Jair Bolsonaro fez nesta terça-feira a sua primeira manifestação pública em favor de um candidato no segundo turno. De forma discreta, por meio de um comentário em publicação nas suas redes sociais, o presidente se mostrou simpático a Delegado Eguchi (Patriota), que enfrenta Edmilson Rodrigues (PSOL), na disputa em Belém (PA).

"Caso fosse eleitor em Belém/PA, certamente votaria", respondeu Bolsonaro no Facebook a um eleitor que defendia o nome de Eguchi. "Boa sorte para ele", complementou.

Eguchi fez campanha usando a imagem do presidente ao lado da sua e dizendo estar "#fechadocombolsonaro". Mas no primeiro turno, Bolsonaro não declarou apoio publicamente a Eguchi, que obteve 23,06% dos votos válidos e vai disputar nas urnas com o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL), que lidera uma frente de esquerda e teve 34,22% dos votos. Na reta final da campanha, o presidente explicou que não teria condições de fazer campanha para todos os aliados que o apoiaram, mas pediu que seus seguidores defenestrassem partidos de esquerda, como o PSOL.

No segundo turno das eleições de 2018, Bolsonaro obteve 54,93% dos votos válidos em Belém contra 45,07% do candidato do PT, Fernando Haddad.

Ao GLOBO, no fim da tarde, Adilson Barroso, presidente nacional do Patriota, disse que até o momento não tinha havido conversa com o presidente sobre um apoio ao candidato do partido.

O Patriota, ex-PEN (Partido Ecológico Nacional), quase abrigou Bolsonaro para a campanha de 2018, e Barroso disse manter o sonho de trazê-lo para a sigla, cujo novo nome foi escolhido pelo hoje presidente da República.

Desde o resultado das urnas, aliados do presidente de dentro e fora do governo se dividiram entre negar um fracasso nas urnas (ou ao menos tirá-lo do colo presidencial) e reconhecer que é preciso mudar para recuperar o bom desempenho de 2018.

No grupo da negação está o próprio presidente, que passou a defender a tese de que eleições municipais não têm nenhuma correspondência com a política nacional. Aliados chegaram a aconselhar o presidente a analisar com cautela uma eventual participação no segundo turno a fim de evitar novos reveses. Outros debateram publicamente o que fazer diante de derrotas nas urnas.

Além de um resultado ruim na disputa para a prefeitura nas principais cidades — apenas Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio, e Capitão Wagner (PROS), em Fortaleza (CE), continuam na briga —, o presidente viu a maioria dos seus indicados a vereador naufragarem. Dos 44 apoiados, apenas dez se elegeram. E a votação do filho Carlos Bolsonaro (Republicanos), em um patamar inferior ao de 2016, também conta como revés.

Assessores que consideraram o resultado negativo, avaliam que a participação do presidente no pleito sem qualquer filiação partidária impôs uma urgência: a necessidade de ele encontrar rapidamente uma legenda para organizar seu grupo político. Bolsonaro se desfiliou do PSL em novembro do ano passado e tenta criar o Aliança pelo Brasil, ainda sem sucesso. Há alguns meses, admitiu entrar em outra sigla.